Arrecadação federal bate recorde em janeiro de 2026, chega a R$ 325,8 bilhões, arrecadação federal impulsionada por alta de tributos e retomada econômica
Com crescimento da economia e elevações de tributos, a arrecadação federal em janeiro de 2026 alcançou R$ 325,8 bilhões, recorde desde 1995, e pressiona metas fiscais
A arrecadação do governo federal com impostos, contribuições e demais receitas somou R$ 325,8 bilhões em janeiro deste ano, informou a Receita Federal.
O resultado representa um aumento real de 3,56% na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação somou R$ 314,54 bilhões, valor corrigido pela inflação.
Esse também foi a maior arrecadação já registrada em todos os meses desde o início da série histórica da Receita Federal, em 1995, ou seja, em 32 anos, conforme informação divulgada pelo G1.
Por que a arrecadação federal subiu em janeiro
A melhora na atividade econômica explica parte do avanço, com aumento do volume de vendas e de serviços no fim de 2025, e, ao mesmo tempo, medidas tributárias aprovadas nos últimos anos passaram a elevar a base de receita.
Entre os fatores apontados pela Receita Federal estão elevações de tributos como o IOF, a tributação de fundos exclusivos, mudanças na tributação de incentivos concedidos por estados, e a retomada da tributação de combustíveis, além do imposto sobre encomendas internacionais e a reoneração gradual da folha de pagamentos.
Principais tributos que puxaram o resultado
O relatório destaca números específicos, que mostram a contribuição de diferentes fontes para o montante de janeiro. O IRRF-Rendimentos do Capital apresentou uma arrecadação de R$ 14,68 bilhões, com alta real de 32,56%, e a Receita Federal observou que, adicionalmente, houve crescimento da arrecadação decorrente da tributação de Juros sobre o Capital Próprio.
O Imposto Sobre Operações Financeiras, IOF, que também foi elevado no ano passado, apresentou uma arrecadação de R$ 8 bilhões em janeiro, com crescimento real de 49,05%. O governo também arrecadou R$ 1,5 bilhão com a taxação de apostas online e exploração de atividades de jogos de azar.
A arrecadação previdenciária totalizou R$ 63,45 bilhões, com alta real de 5,48%, por conta do crescimento real na massa salarial, pelo aumento na arrecadação do Simples Nacional e pela alta de 17,02% no montante das compensações tributárias. O PIS/Pasep e a Cofins apresentaram uma arrecadação de R$ 56 bilhões, com aumento real de 4,35%.
Impacto na meta fiscal e no horizonte do governo
O governo espera apoiar o cumprimento da meta fiscal de 2026 com o aumento da arrecadação. Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo positivo de 0,25% do Produto Interno Bruto, cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central. Ou seja, a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões.
O texto permite ainda que o governo retire desse cálculo R$ 57,8 bilhões em despesas e use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios. Na prática, a previsão é de que o governo tenha um rombo de R$ 23,3 bilhões nos cofres públicos em 2026, mesmo que apresente resultado positivo para o cálculo oficial da meta, segundo a avaliação divulgada.
O que observar nos próximos meses
A tendência de alta na arrecadação federal depende da evolução do crescimento econômico, da massa salarial e do comportamento das medidas tributárias em vigor. Alterações adicionais em tributos ou políticas de incentivo podem mudar o ritmo de receitas ao longo do ano.
Analistas e formuladores de política vão acompanhar os dados mensais para entender se o impulso observado em janeiro se mantém, e como isso afetará o cumprimento da meta fiscal e as prioridades de gastos do governo.