Assinatura do Acordo UE-Mercosul em 17 de janeiro no Paraguai, entenda como a parceria vai criar a maior zona de livre comércio e seus efeitos para Brasil e Europa

Com mais de 30 anos de negociações, o Acordo UE-Mercosul será assinado em 17 de janeiro no Paraguai, prometendo redução de tarifas, regras comuns e acesso a 451 milhões de consumidores

Depois de décadas de negociação, líderes dos dois blocos avançaram em uma etapa decisiva que permite a assinatura do tratado, com expectativa de ampliar comércio e integração entre Europa e América do Sul.

O texto prevê redução ou eliminação gradual de tarifas e normas compartilhadas para bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, com impactos em diferentes setores.

Autoridades estimam que o acordo ampliará o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, e que a assinatura ocorrerá no Paraguai em 17 de janeiro, conforme informação divulgada pelo g1.

O que foi decidido e a data da assinatura

Segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, o chanceler Pablo Quirno afirmou, “Depois de mais de 30 anos de negociações, assinaremos em 17 de janeiro, no Paraguai, um acordo histórico e o mais ambicioso entre ambos os blocos”, texto citado pelo g1.

A aprovação dos Estados-membros da União Europeia permitiu que a Comissão Europeia avance para a etapa de assinatura, e a presidente Ursula von der Leyen poderá assinar oficialmente o texto já na próxima segunda-feira, 12, no Paraguai, se mantidas as confirmações internas do bloco.

Reações políticas e resistências na Europa

A decisão na UE foi tomada apesar de oposição de países como França e Irlanda, que apontam riscos ao setor agrícola. O presidente francês Emmanuel Macron declarou, “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”.

O primeiro-ministro da Irlanda, Simon Harris, também se manifestou contra, afirmando, “A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado”.

Garantias e compensações debatidas

Nos últimos dias, a Comissão Europeia propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados a agricultores, medida que foi apontada como resposta a preocupações de produtores e de países que condicionaram seu voto a salvaguardas setoriais.

Na Itália, a negociação de maiores recursos para o setor agrícola entre 2028 e 2034 foi citada como fator que inclinou Roma a sinalizar apoio, após pedidos por medidas que protejam produtores locais.

Próximos passos até a vigência do acordo

Mesmo com a assinatura, o tratado precisa ainda ser aprovado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor, e os Estados-membros tiveram prazo para confirmar seus votos por escrito junto ao Conselho da UE.

Se ratificado, o Acordo UE-Mercosul criará a maior zona de livre comércio do mundo, com efeitos que vão além do agronegócio, alcançando indústrias brasileiras e europeias e alterando cadeias de fornecimento e precificação de bens como vinhos e chocolates.

O avanço do texto abre caminho a negociações finais sobre implementação e prazos de redução tarifária, e deve manter o debate público sobre padrões ambientais e sanitários aplicáveis às importações, tema central das críticas de setores produtivos europeus.