Aumento de navios e caças dos EUA perto do Irã: USS Abraham Lincoln com 90 aeronaves e reforço naval e aéreo antes de negociações nucleares
A presença ampliada de navios e caças dos EUA na região, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln, ocorre às vésperas de uma nova rodada de negociações com o Irã
Três parágrafos de introdução, explicando o contexto e o que virá a seguir.
Nas últimas semanas houve um movimento claro de reforço militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, com navios e aeronaves sendo posicionados em áreas próximas ao Irã.
Imagens de satélite e registros oficiais mostram a presença do porta-aviões USS Abraham Lincoln, escoltas e um aumento de caças e aviões de apoio nas rotas entre Europa, Estados Unidos e a região.
Autoridades de ambos os países se reuniram na Suíça para discutir o programa nuclear iraniano e a possível suspensão de sanções, e essa movimentação militar acompanha as negociações, conforme informação divulgada pelo g1.
O que mostram as imagens e os dados públicos
Satélites europeus Sentinel-2 localizaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln no Mar Arábico, a cerca de 240 km da costa de Omã, segundo análise de imagens. Relatos indicam que ele já esteve a cerca de 700 km do Irã desde sua entrada na região no fim de janeiro.
O Abraham Lincoln, que lidera um grupo de ataque com três destróieres da classe Arleigh Burke, transporta 90 aeronaves, incluindo caças F-35, e tem 5.680 tripulantes, de acordo com imagens e informações divulgadas pelas forças norte-americanas.
Além do Abraham Lincoln, a BBC Verify rastreou um total de 12 navios americanos na região, entre eles destróieres com capacidade de ataques de longo alcance, navios especializados para combate próximo à costa posicionados no Bahrein, e unidades no Mediterrâneo Oriental e no Mar Vermelho.
Movimentos aéreos e bases próximas
Observadores também registraram um aumento de caças F-15 e aeronaves EA-18 estacionadas na base de Muwaffaq Salti, na Jordânia, além de maior tráfego de aviões de carga, reabastecimento e comunicações vindo dos EUA e da Europa em direção ao Oriente Médio.
Autoridades americanas informaram que o USS Gerald R. Ford, o maior navio de guerra do mundo, também foi deslocado e pode chegar à região nas próximas três semanas, o que ampliaria ainda mais o reforço naval.
Resposta iraniana e exercícios no Estreito de Ormuz
Em reação à presença ampliada dos EUA, a Guarda Revolucionária Islâmica, IRGC, lançou exercícios navais no Estreito de Ormuz no dia 16 de fevereiro, com lançamento de mísseis a partir de navios e inspeção de unidades pelo comandante Mohammad Pakpour, informou a agência Tasnim, ligada à IRGC.
O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para o petróleo mundial, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, incluindo a produção do terminal de exportação da Ilha de Kharg, no Irã.
Análises de especialistas e comparação com operações anteriores
O especialista em inteligência militar Justin Crump, da empresa Sibylline, avaliou que os preparativos dos EUA no Oriente Médio mostram “mais profundidade e sustentabilidade” do que movimentos antes de ações na Venezuela ou na operação de ataques do ano passado contra instalações nucleares iranianas.
Crump afirmou que a combinação de um grupo de ataque de porta-aviões, vários destróieres e oito bases aéreas na região permite manter um “ritmo de ataques bastante intenso e sustentado” de cerca de 800 missões por dia, com o objetivo de tornar qualquer resposta iraniana ineficaz.
Ele também ponderou que “o que estamos vendo não é apenas preparação para ataques, mas sim uma estratégia de dissuasão mais ampla, capaz de ser ampliada ou reduzida“, o que, segundo o analista, confere maior capacidade de sustentação a uma operação em comparação com mobilizações anteriores.
O que isso significa para as negociações e a estabilidade regional
A presença ampliada de navios e caças dos EUA próximo ao Irã atua simultaneamente como demonstração de poder e medida de dissuasão, enquanto diplomatas tentam avançar em temas nucleares e na retirada de sanções.
Analistas apontam que a movimentação militar pode ter efeito ambíguo sobre as negociações, por um lado pressionando Teerã, por outro aumentando o risco de incidentes que tensionem ainda mais a região.
Fontes consultadas incluem registros de imagens de satélite, relatos do Comando Central dos EUA, reportagens da BBC Verify e informações publicadas pelo g1, além de declarações de autoridades e especialistas ligados ao tema.