quinta-feira, junho 4, 2026

Aumento do imposto sobre celulares importados deve ter impacto limitado no Brasil, imposto sobre celulares importados pode elevar preços de importados, veja quem será afetado

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Medida aumenta alíquotas em até 7,2 pontos percentuais para mais de mil produtos, governo estima arrecadar R$ 14 bilhões, e smartphones produzidos no país ficam fora da medida

O governo elevou o imposto sobre uma lista de mais de mil produtos importados, entre eles celulares, com o objetivo declarado de melhorar a competitividade da produção nacional.

A decisão pode aumentar a alíquota em até 7,2 pontos percentuais para alguns itens, e o Executivo diz que a mudança vai reequilibrar preços entre produtos estrangeiros e nacionais.

Segundo o governo, a medida não atinge os smartphones produzidos no Brasil, que representam 95% dos aparelhos comprados no país em 2025, conforme informação divulgada pelo g1.

Por que o impacto no preço deve ser limitado

O principal ponto é que a maior parte dos celulares vendidos no Brasil já é montada no país. Conforme informação divulgada pelo g1, “a medida não atinge os smartphones produzidos no Brasil, que representam 95% dos aparelhos comprados no país em 2025, segundo os ministérios”.

Empresas como Samsung, Motorola e Apple têm montagem local, o que reduz a exposição direta do consumidor ao aumento do imposto sobre celulares importados, porque aparelhos produzidos no Brasil não serão impactados pela elevação.

Além disso, o Ministério da Fazenda afirmou que “a decisão também garante tarifa zero de imposto de importação para todo componente usado pela indústria que não seja produzido no país (ou seja, que não tenha produção nacional similar)”, o que protege a cadeia produtiva local.

Quem pode ser afetado

Marcas que não montam no Brasil, e modelos comprados diretamente no exterior por consumidores, podem ficar mais caros com o aumento do imposto sobre celulares importados.

O g1 cita como exemplo a Xiaomi, que não monta nem fabrica seus celulares no Brasil, e que, por isso, pode ser mais afetada pela medida do que fabricantes com linhas de montagem locais.

O governo também observou dependência externa do setor, apontando que a China concentra 46% das importações desses bens, e o Vietnã tem 7,9% de participação, segundo documento do Ministério da Fazenda.

Quanto pode subir o preço de um celular importado

O tributarista Roberto Beninca, citado pelo g1, explica que as alíquotas foram elevadas em até 7,2 pontos percentuais. Para ilustrar, ele considera um aparelho importado com valor de US$ 600 e câmbio de R$ 5 por dólar, o que dá R$ 3 mil.

Beninca expõe o cálculo: “Imagine que, antes da medida, a alíquota do imposto de importação fosse de 16%. Nesse cenário, o valor do imposto seria de R$ 480, totalizando R$ 3.480 após essa etapa”.

Com o aumento de 7,2 pontos percentuais, a alíquota passaria para 23,2%, e “Nesse novo cenário, o imposto sobre os mesmos R$ 3 mil seria de R$ 696, elevando o custo para R$ 3.696 apenas na fase inicial da importação”, conforme informação divulgada pelo g1.

Beninca lembra que esse não é necessariamente o preço final ao consumidor, porque sobre esse novo custo incidem margens do importador, custos logísticos, tributos internos e margem do varejo.

Riscos e efeitos secundários

Além do impacto direto do imposto, a decisão pode pressionar preços em um momento de oferta global tensa de componentes, como memória RAM, e com mudanças na cadeia por conta de investimentos em chips para inteligência artificial.

O Ministério da Fazenda estimou que a medida vai gerar “R$ 14 bilhões a mais neste ano” em arrecadação, e disse que a revisão tarifária visa reequilibrar preços entre itens estrangeiros e nacionais.

Na prática, o resultado poderá variar por marca, modelo e canal de venda, e a diferença entre aparelhos montados localmente e importados deve se manter como fator decisivo para o efeito sobre o bolso do consumidor.

Para consumidores e varejistas, a recomendação é observar a origem dos produtos e acompanhar ajustes de preço nas próximas semanas, à medida que importadores recalcularem custos e margens.

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