Balança comercial da China fecha 2025 com superávit recorde, US$ 1,189 trilhão, e amplia vendas fora dos EUA diante de tarifas de Trump
A balança comercial da China registrou em 2025 um resultado histórico sustentado por ganhos em mercados fora dos EUA, um yuan mais fraco e centros de produção no exterior
A China anunciou um superávit comercial anual recorde, com forte crescimento das exportações para destinos alternativos aos Estados Unidos.
Fabricantes chineses ampliaram presença no Sudeste Asiático, na África e na América Latina, reduzindo o impacto das tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump.
Os números e análises, que mostram mudanças na distribuição das vendas externas e sinais de capacidade ociosa, foram divulgados em boletim comentado por especialistas, conforme informação divulgada pelo g1.
Como o superávit se formou
Segundo dados alfandegários, o superávit comercial anual da China atingiu US$ 1,189 trilhão, um montante que, segundo a fonte, é equivalente ao PIB de uma das 20 maiores economias do mundo, como a Arábia Saudita.
As exportações da segunda maior economia do mundo cresceram 6,6% em valor em dezembro, acima das expectativas, enquanto as importações subiram 5,7% no mês.
Os superávits comerciais mensais ultrapassaram US$ 100 bilhões sete vezes</b ao longo de 2025, um salto em relação a 2024, parcialmente sustentado por um yuan enfraquecido.
Deslocamento de mercados e dados por destino
As remessas destinadas aos EUA caíram 20%</b em dólares em 2025, enquanto as importações vindas de lá recuaram 14,6%, segundo a reportagem.
Em contrapartida, as exportações chinesas para a África saltaram 25,8%, para o bloco ASEAN subiram 13,4% e para a União Europeia cresceram 8,4%.
Além disso, as exportações chinesas de terras raras alcançaram o nível mais alto desde pelo menos 2014, mesmo com restrições anunciadas a partir de abril.
Opiniões de especialistas e sinais de mercado
Sobre a competitividade chinesa, Fred Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC, afirmou, “A economia da China continua extraordinariamente competitiva”.
Wang Jun, vice-ministro da administração aduaneira chinesa, destacou, “Com parceiros comerciais mais diversificados, a capacidade da China de resistir a riscos foi significativamente aprimorada”.
Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management, observou, “O forte crescimento das exportações ajuda a mitigar a fraca demanda interna”.
Riscos políticos e desafios para 2026
Analistas apontam que o aumento dos superávits pode elevar tensões com parceiros comerciais que dependem de exportações manufatureiras, e que a China precisa lidar com preocupações de capitais globais sobre práticas comerciais e capacidade ociosa.
O fator Trump segue relevante para o cenário externo, e Zichun Huang, economista para a China da Capital Economics, afirmou, “A ameaça de Trump de impor uma tarifa de 25% aos países que fazem negócios com o Irã ressalta o potencial para o aumento das tensões comerciais entre os EUA e a China”.
Para 2026, o desafio de Pequim inclui moderar o crescimento industrial excessivo, dissipar dúvidas sobre a dependência global de produtos chineses essenciais e gerenciar a transição para uma demanda interna mais robusta.