quinta-feira, junho 4, 2026

Banco do Brasil registra calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa e vê inadimplência acima de 90 dias subir a 5,17%, impacto na carteira e projeções 2026

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No Banco do Brasil, calote de R$ 3,6 bilhões em operação do atacado elevou a inadimplência acima de 90 dias a 5,17% no quarto trimestre de 2025, sem o impacto seria 4,88%

Banco do Brasil informou que sofreu um calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa do segmento atacado, efeito que puxou para cima o índice de inadimplência da instituição no quarto trimestre de 2025.

O impacto fez o índice de inadimplência acima de 90 dias subir para 5,17%, valor que, sem esse evento isolado, seria de 4,88%, segundo dados divulgados pelo banco.

O caso foi registrado na carteira de Títulos e Valores Mobiliários, e o banco não identificou publicamente a companhia envolvida até o momento, o que gerou atenção do mercado para a qualidade de crédito da carteira corporativa.

conforme informação divulgada pelo g1

Detalhes do calote e efeito imediato na inadimplência

Segundo o balanço divulgado, o calote de R$ 3,6 bilhões foi contabilizado no quarto trimestre de 2025, e sem esse evento a inadimplência acima de 90 dias do período seria de 4,88%, contra os 5,17% reportados com o impacto.

O índice registrado ficou acima dos 4,51% no terceiro trimestre e de 3,16% um ano antes, sinais de aumento da pressão sobre a qualidade da carteira em 12 meses.

Resultados consolidados e variação do lucro

Em 2025, o Banco do Brasil teve lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, dentro da faixa projetada pelo próprio banco, mas representando uma queda de 45,4% em relação a 2024.

No quarto trimestre, o banco registrou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, queda de 40,1% na comparação anual, mas com avanço de 51,7% ante o terceiro trimestre, superando projeções compiladas pela LSEG, que apontavam lucro de R$ 4,5 bilhões.

Projeções para 2026 e medidas de gestão de risco

Para 2026, o banco projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, e estima expansão da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com crescimento esperado de 6% a 10% para pessoa física.

O BB também apontou custo do crédito estimado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões para 2026, e informou foco em mitigação de riscos, fortalecimento de garantias e novos produtos, segundo nota da presidente-executiva Tarciana Medeiros.

Carteira de crédito, segmentos afetados e indicadores operacionais

No fim de dezembro, a carteira de crédito expandida do banco somava quase R$ 1,3 trilhão, alta de 1,4% no trimestre e de 2,5% em 12 meses, enquanto o custo do crédito ficou próximo de R$ 18 bilhões, praticamente estável, mas 93,9% acima do mesmo período de 2024.

Na pessoa física, a inadimplência atingiu 6,56%, ante 6,01% no trimestre anterior e 4,66% um ano antes. Entre pessoas jurídicas, a inadimplência chegou a 3,75%, de 3,40% três meses antes e 3,30% no quarto trimestre de 2024.

O segmento de agronegócio, que vinha pressionando resultados, fechou o trimestre com inadimplência acima de 90 dias em 6,09%, ante 4,84% no trimestre anterior e 2,23% um ano antes.

Outros indicadores mostram que a margem financeira bruta do banco alcançou R$ 27,8 bilhões, alta de 3,8%, as receitas de prestação de serviços caíram 3,9%, e as despesas subiram 4,1%. O índice de eficiência passou de 25,6% para 27,7%.

O banco anunciou também a distribuição de R$ 1,2 bilhão aos acionistas, sob a forma de juros sobre capital próprio complementar, e registrou retorno sobre patrimônio líquido de 12,4% no quarto trimestre, acima dos 8,4% do trimestre anterior, mas abaixo dos níveis de 2024.

Reação do mercado e próximos passos

Após a divulgação do balanço, as ações do banco registraram alta, e analistas acompanham as medidas anunciadas para mitigação de risco e recuperação da qualidade da carteira.

A atenção segue para a identificação da empresa envolvida no calote, ajustes nas provisões e a evolução da inadimplência nos primeiros trimestres de 2026, quando o banco espera ver uma inflexão nos indicadores.

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