Banco Master: Fábio Steibel diz que quem financiou publicações terá de explicar, influenciadores relatam propostas e PF abre inquérito sobre contratações
Especialista avalia risco de responsabilização dos contratantes por campanhas a favor do Banco Master, enquanto influenciadores declaram ter recebido propostas para atacar a decisão do Banco Central
O diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade, Fábio Steibel, afirmou que existe uma linha tênue entre liberdade de expressão e crime quando influenciadores são contratados para divulgar narrativas sobre o sistema financeiro.
Steibel disse que as publicações em si podem não configurar crime, e que é provável que os criadores de conteúdo não sejam responsabilizados criminalmente, mas alertou para a exposição de quem contratou a campanha.
Informações sobre as propostas a criadores e a investigação em andamento foram divulgadas por veículos que acompanharam os relatos dos influenciadores, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse o especialista
Fábio Steibel destacou que temas de interesse público merecem uma liberdade de expressão mais ampla, porém chamou atenção para situações em que perfis sem histórico no assunto passam a tratar o tema de forma repentina.
Ao comentar as ofertas para difundir críticas à liquidação do Banco Master, Steibel afirmou, exatamente, “Quem financiou vai ter que se explicar”.
Ele também pontuou a necessidade de apurar a intenção por trás das contratações, com a declaração, na íntegra, “Com certeza, quem financiou isso vai ter que explicar se a sua intenção se o dolo era de prejudicar ou não”.
Sobre o risco de difamação, Steibel declarou, conforme transcrito, “É diferente você não sobre o tema e, do nada, começar a falar algo que vai difamar uma instituição ou difamar pessoas, principalmente aqui lidando com o sistema financeiro”.
Influenciadores e as propostas recebidas
Nesta semana, o vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim, em Minas Gerais, e outros criadores de conteúdo revelaram ter sido procurados para produzir publicações defendendo o Banco Master e questionando a atuação do Banco Central.
A ideia, segundo relatos, era compartilhar vídeos que reverberassem a posição da Corte e colocassem em xeque a decisão do BC de decretar a liquidação da instituição de Daniel Vorcaro no fim do ano passado.
Os influenciadores afirmaram ter recebido propostas para difundir a narrativa de que o Banco Central havia sido precipitado ao decretar a liquidação, e a informação sobre as abordagens foi publicada em reportagens que relataram as mensagens recebidas.
A defesa do Banco Master, procurada pela reportagem, informou não ter informações sobre a suposta contratação de influencers para difamar o Banco Central.
Investigação da Polícia Federal e possíveis consequências
A Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar as denúncias de influenciadores que alegam ter sido procurados para gravar conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central.
Especialistas ouvidos avaliam que, embora as postagens em si dificilmente resultem em responsabilização penal dos influenciadores, a apuração pode focar em quem financiou ou articulou a campanha, especialmente se ficar comprovado o dolo de prejudicar o BC ou difamar pessoas e instituições.
O caso coloca em debate os limites entre comunicação paga, responsabilidade por mensagens coordenadas e a proteção do sistema financeiro, temas que devem ser aprofundados pela investigação em curso.
O desdobramento do inquérito e possíveis responsabilizações serão acompanhados por autoridades e pelo mercado, enquanto cresce a pressão por transparência sobre quem contratou as publicações.