Banco Master, influenciadores e inquérito da PF: especialista Fábio Steibel afirma que quem financiou a campanha contra o Banco Central terá de explicar

Entidade do Instituto de Tecnologia e Sociedade aponta limite entre liberdade de expressão e crime na contratação de influenciadores para série de postagens sobre a liquidação do Banco Master

Três acontecimentos recentes se cruzam e acenderam um alerta sobre campanhas pagas em redes sociais, a atuação de influenciadores e a proteção do sistema financeiro.

Relatos de propostas para produzir conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central motivaram abertura de apuração pela Polícia Federal e questionamentos públicos sobre responsabilidades.

Conforme informação divulgada pelo g1, especialistas e autoridades avaliam se houve intenção de difamar o Banco Central ou de proteger interesses privados por meio de divulgação coordenada.

O que foi denunciado

Vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim, em Minas Gerais, e outros perfis afirmaram ter recebido propostas para propagar a narrativa de que o Banco Central foi precipitado ao decretar a liquidação do Banco Master.

A informação sobre as abordagens a influenciadores foi publicada no blog da Andréia Sadi, no g1, e descreve a proposta de compartilhar vídeos que colocassem em dúvida a ação do BC e promovesse a posição da Corte.

A defesa do Banco Master informou não ter conhecimento sobre a suposta contratação de influencers para difamar o Banco Central, segundo reportagens divulgadas.

O que diz o especialista

O diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade, Fábio Steibel, avaliou que existe uma linha tênue entre liberdade de expressão e crime quando há contratação de influenciadores para uma série de publicações contra a liquidação do Banco Master.

Segundo Steibel, as publicações em si provavelmente não configuram crime, e é improvável que os influenciadores sejam responsabilizados diretamente, mas quem contratou a sequência de postagens pode ser responsabilizado.

Ele afirmou, em entrevista à GloboNews, “Com certeza, quem financiou isso vai ter que explicar se a sua intenção se o dolo era de prejudicar ou não”.

Steibel também destacou estranhamento em perfis que não costumam tratar de economia, começando de repente a falar sobre o tema, e afirmou, em tradução para o contexto, “É diferente você não sobre o tema e, do nada, começar a falar algo que vai difamar uma instituição ou difamar pessoas, principalmente aqui lidando com o sistema financeiro”.

Investigação e próximos passos

A Polícia Federal decidiu abrir inquérito para apurar as denúncias de influenciadores que alegam ter sido procurados para gravar conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central, que decretou a liquidação da instituição no fim do ano passado.

Se a apuração confirmar financiamento e coordenação com intenção de prejudicar instituições ou agentes, a investigação pode mirar contratantes e organizadores da campanha, mais do que os criadores de conteúdo que aceitaram propostas.

Enquanto isso, o debate sobre responsabilidade em redes sociais volta a crescer, com foco em transparência sobre patrocínios, na proteção do sistema financeiro e na distinção entre manifestação pública e campanha potencialmente criminosa.