Banco Master, influenciadores e propostas pagas: especialista Fábio Steibel diz ‘Quem financiou vai ter que se explicar’ e aponta risco jurídico
PF abre inquérito após relatos de propostas a influenciadores para defender o Banco Master, especialista alerta que quem financiou terá de explicar intenção e possível dolo
Nas últimas semanas, perfis nas redes sociais e políticos relataram ter sido procurados para publicar conteúdos favoráveis ao Banco Master e críticos ao Banco Central, após a liquidação da instituição no fim do ano passado.
Vereador Rony Gabriel, do PL de Erechim, e outros influenciadores afirmaram ter recebido propostas para divulgar a narrativa de que o Banco Central foi precipitado ao decretar a liquidação do banco.
O caso motivou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal, e gerou questionamentos sobre quem pagou pelas publicações e qual era a intenção por trás das postagens, conforme informação divulgada pelo g1.
O que disse o especialista
Conforme entrevistas citadas pela imprensa, o diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade, Fábio Steibel, afirmou que existe “há uma linha tênue entre liberdade de expressão e crime” na contratação de influenciadores para uma série de publicações contra a liquidação do Banco Master.
Steibel avaliou que as publicações em si “não se tratam de crime” e que é “provável que os influenciadores não sejam responsabilizados”. No entanto, ele destacou que a responsabilização pode recair sobre quem contratou a série de postagens.
Em suas palavras, “Com certeza, quem financiou isso vai ter que explicar se a sua intenção se o dolo era de prejudicar ou não“, disse, em entrevista à GloboNews.
Investigação e posicionamentos
A Polícia Federal decidiu abrir um inquérito para apurar as denúncias de influenciadores que alegam ter sido procurados para gravar conteúdos em defesa do Banco Master e contra o Banco Central.
A defesa do Banco Master afirmou, quando procurada, que não possui informações sobre a suposta contratação de influencers para difamar o Banco Central.
O caso foi divulgado originalmente pelo blog da Andréia Sadi, no g1, e trouxe à tona a prática de oferecer pagamentos para influenciadores divulgarem narrativas alinhadas a interesses de instituições e grupos.
Por que a reação chamou atenção
Steibel também observou estranhamento pelo fato de perfis que não costumam tratar de economia, do nada, passarem a comentar intensamente o tema. Segundo ele, “É diferente você não sobre o tema e, do nada, começar a falar algo que vai difamar uma instituição ou difamar pessoas, principalmente aqui lidando com o sistema financeiro“.
Para o especialista, a liberdade de expressão deve ser mais abrangente quando se trata de um tema público, mas a contratação paga de conteúdo exige apuração sobre intenção e eventual prejuízo à reputação de instituições ou de terceiros.
O que pode acontecer
Se a investigação comprovar que houve contratação para disseminar informação com dolo de prejudicar, os contratantes podem sofrer responsabilização civil e, dependendo do teor e da prova de intenção, consequências penais.
No curto prazo, a apuração da Polícia Federal deverá buscar quem fez as propostas, eventuais contratos ou pagamentos, e a motivação por trás das publicações, enquanto permanece em debate o equilíbrio entre liberdade de expressão e responsabilização por campanhas coordenadas.