Banco Master, sindicância do Banco Central investiga falhas na fiscalização e na liquidação extrajudicial, apura demora da área técnica e impacto institucional

Auditoria sigilosa do Banco Central busca esclarecer por que a área técnica demorou a identificar aumento de operações de risco no Banco Master, após a liquidação extrajudicial

O Banco Central abriu uma sindicância interna para apurar a condução do caso do Banco Master, visando identificar eventuais falhas no processo de fiscalização e na liquidação extrajudicial da instituição do empresário Daniel Vorcaro.

A auditoria, mantida em sigilo, teve início logo depois da liquidação do banco, decretada em novembro do ano passado, e foi assinada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em dezembro.

As informações sobre a investigação foram divulgadas na imprensa e confirmadas internamente, conforme informação divulgada pelo g1.

Objetivo e alcance da sindicância

A sindicância busca especialmente entender por que a área técnica demorou a detectar o crescimento de operações de risco no Banco Master, segundo apuração do g1.

O processo tem caráter sigiloso dentro do BC, e a abertura da auditoria foi justificada pela necessidade de documentar de forma detalhada a decisão de liquidação extrajudicial, por se tratar de um fato grave.

Decisões administrativas e trocas na direção

Desde a instauração da sindicância, os diretores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandavam o Departamento de Supervisão Bancária, deixaram os cargos, área responsável por avaliar a saúde das instituições financeiras.

Fontes ouvidas pela imprensa indicam que as saídas ocorreram depois que cresceu o escrutínio sobre a fiscalização do banco.

TCU, acordos e próximas etapas

O caso também mobilizou o Tribunal de Contas da União, que inicialmente determinou uma inspeção sobre a liquidação. Em seguida, o BC apresentou embargos de declaração, e houve interlocução entre as presidências do BC e do TCU.

Na sequência, o BC retirou o recurso, em uma negociação que, segundo reportagens, levou as instituições a definirem que “as próximas etapas envolverão diligências técnicas sobre a documentação, e não uma inspeção formal“.

Contexto mais amplo e inquéritos em andamento

Além da sindicância interna, a Polícia Federal abriu inquérito para investigar ataques de influenciadores ao Banco Central relacionados ao caso, e há apurações sobre possíveis fraudes envolvendo o Master e outras instituições, conforme reportado pelo g1.

No ofício que justificou a liquidação, o Banco Central apontou a “situação econômico-financeira da instituição” e a “infringência às normas que disciplinam a atividade bancária” como fundamentos para encerrar as atividades do banco e nomear um liquidante.

A reportagem segue em atualização à medida que o BC e outras instâncias, como o TCU e o STF, avançam em diligências sobre a documentação e os desdobramentos administrativos e judiciais envolvendo o Banco Master.