Batidas do ICE em Minneapolis mobilizam comunidade somali, geram patrulhas voluntárias e acendem temor de intimidação eleitoral antes das eleições de 2026
Operações do ICE deixam moradores em alerta, voluntários patrulham bairros, mesquitas viram centros de mobilização, e líderes temem supressão de eleitores somali
Desde o início das ações de imigração em Minneapolis, moradores da comunidade somali relatam medo e insegurança, e redes locais se organizam para responder a batidas em residências e detenções nas ruas.
Grupos de voluntários passaram a patrulhar bairros, distribuir cartilhas de “Conheça seus direitos” e acompanhar idosos que temem abordagens agressivas, enquanto comerciantes relatam queda de movimento nas áreas com grande presença somali.
O contexto se agravou após o tiroteio que matou Renee Good, em 7 de janeiro, e com o envio de reforço federal, medidas que despertaram receio de intimidação eleitoral e de violações de direitos civis, conforme informação divulgada pelo g1.
Organização comunitária e ações de base
Moradores descrevem uma mobilização rápida e improvisada, com mais de 100 voluntários patrulhando o sul de Minneapolis para documentar prisões e prestar apoio jurídico e social.
Kowsar Mohamed, que começou a bater de porta em porta e a organizar respostas, diz que muitos sentem que estão sendo alvo específico, e que as ações reavivaram memórias de vigilância estatal e autoridade arbitrária.
Mesquitas e centros comunitários passaram a funcionar como polos de educação política e de preparação para eleições, com treinamento sobre direitos civis e engajamento eleitoral.
Acusações de intimidação, perfilamento e resposta oficial
O envio de 3.000 agentes federais, ordenado pelo presidente Donald Trump, tem sido interpretado por líderes locais e democratas como uma ofensiva que pode visar comunidades politicamente ativas antes das eleições de meio de mandato de 2026.
Membros da comunidade relatam táticas que consideram agressivas, incluindo abordagens em ruas e buscas em residências, e descrevem o impacto psicológico e econômico dessas operações.
Uma moradora relatou, “Você nunca imaginaria que alguém simplesmente pudesse te arrancar da rua… e dizer: ‘Prove para mim que você é cidadão'”, e acrescentou, “Não é que achássemos isso impossível, Apenas acreditávamos que a Constituição iria nos proteger desse nível de interrogatório.”
Em resposta, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna afirmou que imigrantes que recebem mandados administrativos ou ordens de remoção I-205, “tiveram pleno devido processo legal e uma ordem final de remoção emitida por um juiz de imigração”.
Impacto econômico e político na comunidade
Comércio em bairros como Cedar-Riverside, conhecido como West Bank, registra queda de movimento, e fornecedores evitam entrar em áreas onde circulam operativos do ICE.
A comunidade somali em Minnesota é estimada em cerca de 80 mil pessoas, e líderes afirmam que o efeito combinado de medo e deslocamento pode reduzir a participação eleitoral, já que muitos somali-americanos apoiam majoritariamente candidatos democratas.
Abdulahi Farah, copresidente da Somali American Leadership Table, afirmou que, “Muitos membros da comunidade fugiram da guerra, e esta administração está acionando outra zona de guerra”, descrevendo a situação como desestabilizadora para pequenos negócios e para a sensação de segurança.
Repercussões públicas e próximas etapas
Protestos em Minneapolis e um dia de paralisação geral em Minnesota mostram a resposta pública à operação, enquanto líderes comunitários planejam acelerar a mobilização de eleitores nos meses que antecedem as eleições.
O presidente do Partido Republicano de Minnesota negou motivação política nas batidas, e a Casa Branca, por meio de sua porta-voz, afirmou que imigrantes que, “não contribuem para nossa economia, enganam os americanos e se recusam a se integrar à nossa sociedade não deveriam estar aqui”.
Organizações de direitos civis, acadêmicos e ativistas locais seguem documentando casos e preparando ações legais e de sensibilização, com a meta de proteger direitos e manter a participação democrática da comunidade somali.