Operações e presença federal têm levado moradores a organizar patrulhas, salvar vidas e transformar mesquitas em centros de educação política, diante do medo de intimidação eleitoral
Quando agentes do ICE começaram operações agressivas em diferentes bairros de Minneapolis, voluntários somali passaram a bater de porta em porta e a documentar prisões.
Mais de 100 pessoas agora patrulham o sul da cidade, distribuem cartilhas de Conheça seus direitos e acompanham idosos assustados, em resposta às batidas do ICE em Minneapolis.
A mobilização aumenta desde o tiroteio que matou Renee Good e há receio de que o envio de 3.000 agentes ordenado por Trump tenha motivação para reduzir a participação eleitoral, conforme informação divulgada pelo g1.
Resposta e organização comunitária
O esforço de base foi liderado por moradores como Kowsar Mohamed, que organizou uma equipe improvisada de resposta, atendendo chamadas madrugada adentro e apoiando vizinhos. Mohamed relatou relatos de interrogatório nas ruas e resumiu a sensação de insegurança da comunidade.
Como descreveu Mohamed, “Você nunca imaginaria que alguém simplesmente pudesse te arrancar da rua, e dizer: ‘Prove para mim que você é cidadão'”. Ela também afirmou, “Não é que achássemos isso impossível. Apenas acreditávamos que a Constituição iria nos proteger desse nível de interrogatório.”
Líderes comunitários, como Abdulahi Farah, veem o movimento como resposta a uma escalada de intimidação, e dizem que muitos, refugiados de guerra, sentem que a administração atual está reavivando traumas, “Muitos membros da comunidade fugiram da guerra, e esta administração está acionando outra zona de guerra”, segundo relato de Farah.
Acusações de perfilamento e resposta oficial
Organizadores e autoridades locais acusam agentes do ICE de assediar manifestantes pacíficos, praticar perfilamento racial e realizar buscas sem mandado. Além disso, há relatos de que muitos dos detidos não tinham acusações nem condenações, alimentando preocupações sobre legalidade e abuso.
Do outro lado, o Departamento de Segurança Interna afirmou em nota que imigrantes com mandados administrativos ou ordens de remoção I-205 “tiveram pleno devido processo legal e uma ordem final de remoção emitida por um juiz de imigração”, conforme declaração de Tricia McLaughlin citada pela imprensa.
A Casa Branca, por meio da porta-voz Abigail Jackson, declarou que imigrantes “que não contribuem para nossa economia, enganam os americanos e se recusam a se integrar à nossa sociedade não deveriam estar aqui”. O presidente do Partido Republicano de Minnesota, Alex Plechash, negou motivação política e classificou a acusação como “categoricamente falsa”, embora tenha dito que reclamações sobre táticas agressivas merecem análise.
Impacto local e mobilização eleitoral
No bairro de Cedar-Riverside, comércio e circulação sofreram queda desde o início das operações. O gerente Rashid Jama resumiu a situação dizendo, “Está bem parado”, e comerciantes relatam que fornecedores têm medo de ir ao trabalho.
Mesquitas e centros comunitários vêm se transformando em polos de educação política, e grupos de defesa aceleram ações de engajamento eleitoral. Alguns organizadores afirmam que as batidas do ICE em Minneapolis podem ter objetivo de aterrorizar eleitores somali-americanos, historicamente alinhados com os democratas, para reduzir comparecimento às urnas nas eleições de meio de mandato de 2026.
Abdullahi Kahiye, líder comunitário naturalizado em 2024, destacou a prioridade de registrar e motivar eleitores, dizendo, “O poder que temos é votar”. Enquanto isso, voluntários seguem patrulhando ruas, filmando prisões e ensinando direitos civis, numa tentativa de conter operações que moradores e ativistas consideram constitucionalmente suspeitas.