BC abre investigação interna sobre Banco Master, apura falhas na supervisão e na liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro, auditoria é sigilosa

Auditoria sigilosa do Banco Central vai verificar por que a área técnica demorou a identificar aumento de operações de risco e documentar a liquidação extrajudicial

O Banco Central abriu uma investigação interna, em forma de sindicância, para apurar a condução do caso do Banco Master depois da liquidação extrajudicial da instituição. A apuração busca identificar eventuais falhas na supervisão e no processo que levou ao encerramento das atividades do banco.

A auditoria é mantida em sigilo pela autoridade monetária e, segundo apuração, teve início logo após a liquidação decretada no ano passado. A medida foi tomada para garantir que todos os passos administrativos e técnicos estejam documentados e fundamentados.

As informações sobre a investigação foram divulgadas pela imprensa e confirmadas internamente, conforme informação divulgada pelo g1

O que a sindicância pretende apurar

A sindicância tem como foco principal entender por que a área técnica do BC, responsável pela supervisão, não detectou mais cedo o crescimento de operações de risco no Banco Master. A intenção é avaliar se houve falhas procedimentais, omissões na fiscalização ou problemas na interpretação dos sinais de risco.

Fontes apontam que a investigação também busca consolidar o registro formal do processo de liquidação extrajudicial, já que se trata de medida grave que exige documentação detalhada sobre as razões e os fundamentos adotados pelo Banco Central.

Decisão de liquidação e justificativas formais

A liquidação extrajudicial do Master foi decretada em novembro, decisão que causou repercussão e questionamentos em outras instâncias. No ofício assinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, a medida foi justificada pela “situação econômico-financeira da instituição” e pela “infringência às normas que disciplinam a atividade bancária”.

Na prática, a liquidação significa que o BC encerrou as atividades do banco, nomeou um liquidante para gerir o processo e determinou a saída da instituição do sistema financeiro nacional.

Saídas na cúpula da supervisão e impacto institucional

Desde a abertura da auditoria, os diretores que comandavam o Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, deixaram os cargos. O departamento é o responsável por monitorar a saúde das instituições financeiras, o que tornou a saída dos diretores um ponto sensível para a investigação.

Nos meses recentes, o caso também mobilizou o Tribunal de Contas da União e o Supremo Tribunal Federal, e houve questionamentos sobre os fundamentos da liquidação, o que ampliou o escopo das análises e das diligências técnicas entre os órgãos.

TCU, diligências e próximos passos

O Tribunal de Contas da União chegou a determinar uma inspeção para analisar documentos do processo de liquidação, medida que levou o BC a apresentar recursos. Posteriormente, houve uma negociação institucional que resultou na retirada de recursos pelo Banco Central, e as próximas etapas devem envolver diligências técnicas, em vez de uma inspeção formal.

A sindicância deve orientar eventuais providências administrativas internas, e a auditoria sigilosa seguirá em curso até que o BC conclua as apurações e, quando possível, divulgue resultados ou medidas disciplinares, preservando o caráter reservado do processo.