Bezalel Smotrich defende anulação dos Acordos de Oslo para incentivar emigração de palestinos, medida provoca condenação de 85 missões na ONU

Smotrich propõe anular os Acordos de Oslo e incentivar saída de Gaza e Cisjordânia, enquanto governo amplia controle de terras e enfrenta forte condenação internacional

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, afirmou ser favorável a incentivar a saída de palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, propondo a anulação dos Acordos de Oslo como caminho para a soberania, segundo a imprensa israelense.

As declarações foram feitas em evento do partido Sionismo Religioso, e coincidem com um plano do governo que facilita o registro e a compra de terras na Cisjordânia por israelenses judeus.

As medidas geraram reação internacional, incluindo um comunicado conjunto de missões de 85 países na ONU que condenou as decisões como equivalentes a uma anexação de fato, conforme informação divulgada pelo g1

O que Smotrich disse e o sentido da proposta

Smotrich, que vive em uma colônia na Cisjordânia, afirmou, em discurso, que “Eliminaremos a ideia de um Estado árabe terrorista” e que “Anularemos formalmente e em termos práticos os malditos Acordos de Oslo e empreenderemos o caminho rumo à soberania, enquanto incentivamos a emigração tanto de Gaza quanto de Judeia e Samaria“.

Ele acrescentou que “Não há outra solução de longo prazo“, posicionamento que sinaliza a intenção de transformar a relação entre Israel e os territórios ocupados, ao promover a anulação dos Acordos de Oslo como parte de uma estratégia política.

Plano do governo para terras na Cisjordânia

Na semana anterior, o governo aprovou um plano que cria um processo para registrar terras na Cisjordânia como “propriedade estatal” e para facilitar a compra direta de terrenos por israelenses judeus.

Especialistas e críticos dizem que, na prática, isso amplia o controle de Israel sobre áreas administradas pela Autoridade Palestina nos termos dos Acordos de Oslo, que estão em vigor desde a década de 1990.

Reações internacionais e números citados

As decisões geraram uma “onda de indignação internacional”, e missões de 85 países na ONU divulgaram um texto conjunto que afirmou, segundo a imprensa, “Condenamos veementemente as decisões e medidas unilaterais de Israel destinadas a expandir sua presença ilegal na Cisjordânia”.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu a Israel que reverta a política de registro de terras, classificando-a como “desestabilizadora” e “ilegal”.

Analistas também apontam que o atual governo acelerou a expansão dos assentamentos, com a aprovação de um número recorde de 52 novas colônias em 2025, e que, excluindo Jerusalém Oriental, mais de 500.000 israelenses vivem em assentamentos e postos avançados na Cisjordânia, situação considerada ilegal pelo direito internacional.

Consequências locais e perspectivas

Para os palestinos, a combinação entre a intenção declarada por Smotrich de incentivar a emigração e as novas regras de registro de terras pode significar perda de acesso e pressão demográfica, afirmam observadores.

Do ponto de vista diplomático, as medidas tornam mais difícil qualquer negociação baseada nos Acordos de Oslo, e aumentam a tensão com países que pedem a reversão das decisões.

O futuro imediato depende de respostas externas e de como o governo israelense implementará o plano de terras, enquanto a discussão sobre a anulação dos Acordos de Oslo permanece no centro das críticas e das preocupações internacionais.