Bezalel Smotrich defende estimular migração de palestinos, anular Acordos de Oslo e apoia controle ampliado de terras na Cisjordânia pelo governo israelense
Ministro das Finanças Bezalel Smotrich diz que Israel deve incentivar emigração de Gaza e Judeia e Samaria, e anuncia fim prático dos Acordos de Oslo como caminho à soberania
Bezalel Smotrich, ministro das Finanças de Israel e membro da direita religiosa, afirmou ser favorável a estimular a migração de palestinos da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, em discurso publicado pela imprensa israelense.
O pronunciamento ocorre na mesma semana em que o governo aprovou medidas para ampliar seu controle sobre terras administradas pela Autoridade Palestina, e em meio a críticas internacionais que comparam as decisões a uma anexação de fato.
As informações aqui reunidas, incluindo declarações e números citados, foram divulgadas por fontes de imprensa brasileiras, conforme informação divulgada pelo g1
O que disse Smotrich
Em evento do partido Sionismo Religioso, Smotrich afirmou, na noite de terça-feira, frases diretas que ecoaram entre críticos e aliados. Ele declarou, em suas palavras, ‘Eliminaremos a ideia de um Estado árabe terrorista’.
O ministro também afirmou, citando textualmente, ‘Anularemos formalmente e em termos práticos os malditos Acordos de Oslo e empreenderemos o caminho rumo à soberania, enquanto incentivamos a emigração tanto de Gaza quanto de Judeia e Samaria’.
Smotrich completou que ‘Não há outra solução de longo prazo’. O ministro vive em uma colônia na Cisjordânia, o que reforça a ligação pessoal dele com a agenda sobre assentamentos.
Plano do governo e medidas anunciadas
Na semana anterior ao discurso, o governo israelense aprovou um plano que facilita o controle sobre terras na Cisjordânia, administradas até então sob os Acordos de Oslo. Entre as medidas, está um processo para registrar áreas como ‘propriedade estatal’ e simplificar a compra direta de terrenos por israelenses judeus.
As ações foram apresentadas como parte de um movimento para estender a soberania israelense, e receberam apoio dentro da coalizão governista, ao mesmo tempo em que provocaram forte reação internacional.
Reação internacional e números
Missões de 85 países nas Nações Unidas emitiram, em comunicado conjunto, uma condenação às medidas e pediram que elas sejam revertidas, afirmando que afrontam o direito internacional. No texto, segundo a imprensa, representantes disseram, ‘Condenamos veementemente as decisões e medidas unilaterais de Israel destinadas a expandir sua presença ilegal na Cisjordânia’.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também pediu a reversão da política de registro de terras, chamando-a de ‘desestabilizadora’ e ‘ilegal’.
Analistas destacam que a Cisjordânia comporia a maior parte de qualquer futuro Estado palestino, enquanto setores da direita religiosa de Israel a consideram terra histórica israelense. Em 2025, o governo aprovou um número recorde de 52 novas colônias, e, excluindo Jerusalém Oriental, mais de 500.000 israelenses vivem hoje em assentamentos e postos avançados na Cisjordânia, que, segundo o direito internacional, são ilegais.
Possíveis consequências e próximos passos
Especialistas consultados pela imprensa avaliam que a combinação entre discurso público de líderes como Bezalel Smotrich e medidas administrativas pode aprofundar tensões locais e isolar diplomaticamente Israel, sobretudo se as mudanças no registro de terras avançarem sem negociação com a Autoridade Palestina.
O governo terá que lidar com pressão de parceiros internacionais e com a reação de populações palestinas afetadas, enquanto a comunidade internacional segue atenta aos desdobramentos, e solicita reversão das ações consideradas prejudiciais ao processo de paz.