Big techs projetam US$ 600 bilhões em gastos com IA para 2026 e geram pânico entre investidores, pressão sobre ações de Amazon e Alphabet

O anúncio de um pacote bilionário de investimentos em inteligência artificial reacende dúvidas sobre retorno e sustentabilidade, com impactos no mercado global

Três grandes pacotes de notícias sobre investimentos e resultados recentes levaram a uma correção no setor de tecnologia nas últimas sessões, reacendendo o debate sobre os riscos da corrida pelo desenvolvimento da IA.

Investidores passaram a avaliar se a antecipação de ganhos futuros justifica os elevados custos anunciados, e se a concentração de líderes pode reduzir concorrência e margens no médio prazo.

Conforme informação divulgada pelo g1, um pacote planejado de US$ 600 bilhões em gastos com IA por grandes empresas para 2026 desencadeou queda em ações e apreensão no mercado.

Como os anúncios movimentaram o pregão

O pacote de US$ 600 bilhões, somado ao anúncio da Amazon sobre US$ 200 bilhões em investimentos, provocou queda imediata em papéis considerados mais expostos à corrida pela IA.

Segundo dados reportados pelo g1, as ações da Amazon caíram mais de 5% na sexta-feira, enquanto a Alphabet, controladora do Google, recuou 2,51% após informar que seus gastos podem dobrar neste ano, e a Meta Platforms caiu 1,31%.

Em contrapartida, empresas como a Nvidia subiram 7,87%, a Microsoft avançou 1,90% e a Tesla ganhou 3,50%, mostrando que a reação do mercado foi seletiva.

Por que investidores estão nervosos com os gastos com IA

Para especialistas, a tese de valorização baseada na expansão da IA foi antecipada em excesso, elevando expectativas de receita que agora parecem distantes frente aos riscos e aos custos.

Na avaliação de Andrew Wells, citado pelo g1, “Não é que essa tese tenha acabado, mas ela ficou cara demais ao antecipar receitas futuras sem considerar adequadamente os riscos. Por isso, trata-se de um movimento de redução de exposição”.

Além do retorno sobre o investimento, há preocupação com a concentração de liderança, o que pode reduzir o espaço para concorrentes e pressionar margens no longo prazo.

Efeito sobre empresas de software e análise de dados

A divulgação de novos modelos e plug-ins, como o lançamento do Claude pela Anthropic, pressionou ações de companhias de análise de dados, que temem perda de relevância comercial.

Conforme o g1, o índice S&P 500 de software e serviços caiu quase 8% na semana, e perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde 28 de janeiro, enquanto empresas como Thomson Reuters recuaram 0,64% e a RELX caiu 4,6%, acumulando perda de quase 17%, na pior semana desde 2020.

O impacto se estendeu globalmente, com o índice MSCI global recuando 0,14% no período, e ações de exportadoras de software na Índia caindo mais 2% na sexta-feira, eliminando US$ 22,5 bilhões em valor de mercado na semana, segundo informações divulgadas pelo g1.

Sinais para 2026 e o que observar adiante

O mercado seguirá atento a métricas operacionais, ritmo de adoção de serviços de nuvem e a capacidade das empresas em converter investimentos em IA em receitas sustentáveis.

Como destacou Aarin Chiekrie ao g1, “Tanto a Alphabet quanto a Amazon apresentaram desempenho operacional sólido, impulsionado por um crescimento em nuvem acima do esperado”, mas, segundo ele, isso “não foi suficiente para desviar a atenção do mercado de seus planos elevados de investimento”.

Para investidores e gestores, o desafio será equilibrar a corrida por inovação, com controle de custos e transparência sobre prazos de retorno, enquanto a cada novo anúncio de gasto a volatilidade pode aumentar.