Boletim Focus inflação 2026: mercado reduz previsão do IPCA para 3,95%, projeta recuo da Selic e mantém câmbio em R$ 5,50

No Boletim Focus, analistas cortam a estimativa do IPCA para 3,95% em 2026, mantêm projeções para Selic, câmbio e PIB, e avaliam riscos ao poder de compra

Os economistas do mercado financeiro reduziram, na última semana, a estimativa de inflação para 2026, movimento que sinaliza uma tendência de desaceleração moderada dos preços.

Ao mesmo tempo, o mercado manteve previsões para juros e câmbio, mesmo diante de incertezas eleitorais e do cenário externo, o que molda expectativas para consumo e investimento.

Essas projeções constam do boletim Focus, compilado a partir de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras, conforme informação divulgada pelo g1.

Inflação e projeções do IPCA

Os analistas reduziram a estimativa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, IPCA, para 3,95% em 2026, após cortarem a projeção de 3,97% para 3,95%, esse foi o sexto recuo seguido do indicador, segundo o boletim.

Se confirmada a projeção, o IPCA ficará abaixo do registrado no último ano, quando somou 4,26%, e abaixo da meta central adotada desde 2025, que tem objetivo de manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,5% e 4,5%.

Juros, Selic e trajetória esperada

Depois de a taxa básica da economia ter fechado 2025 em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, o mercado projeta recuos ao longo de 2026.

Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano, o que representa expectativa de uma queda de 2,25 pontos percentuais em relação ao fechamento de 2025. Para 2027 e 2028, as estimativas permanecem em 10,50% ao ano e 10% ao ano, respectivamente.

Crescimento do PIB e estabilidade do câmbio

Para o crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, de 2026, a estimativa do mercado foi mantida em alta de 1,80%, abaixo dos cerca de 2,25% projetados para 2025, indicando uma desaceleração moderada da atividade econômica.

Quanto ao câmbio, os economistas mantiveram a expectativa de que o dólar termine 2026 em R$ 5,50, após a moeda ter fechado 2025 em R$ 5,4887, e terem observado recuo de mais de 11% no ano anterior em função, entre outros fatores, dos juros elevados no Brasil.

Por que isso importa para famílias e empresas

Uma inflação menor, se confirmada, tende a preservar parte do poder de compra da população, especialmente entre aqueles com renda fixa, porque a alta de preços se acomodaria em níveis mais próximos da meta.

No entanto, a manutenção de juros ainda elevados, mesmo com perspectiva de cortes, e a perspectiva discreta de crescimento do PIB, sugerem que a recuperação do consumo e do investimento pode ser gradual.

O boletim Focus, divulgado pelo Banco Central com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras, consolida essas leituras e orienta agentes e autoridades sobre os próximos passos de política econômica.