Boletim Focus: mercado reduz estimativa da inflação 2026 para 3,95%, projeta Selic em 12,25% e PIB em 1,8%, indicando desaceleração econômica
Mercado financeiro corta projeção do IPCA 2026 para 3,95%, mantém expectativa de Selic em 12,25% no fechamento do ano e projeta crescimento do PIB de 1,8%
Os analistas do mercado reduziram levemente a previsão de inflação para 2026, revisão que confirma uma trajetória de queda nas expectativas nos últimos meses.
Ao mesmo tempo, a previsão para a taxa básica, a Selic, ainda reflete juros elevados, mas com expectativa de recuos ao longo do ano.
Essas projeções fazem parte do boletim Focus, compilado a partir de pesquisa com mais de 100 instituições financeiras, conforme informação divulgada pelo g1
Inflação, meta e projeções
Os economistas do mercado financeiro reduziram de 3,97% para 3,95% sua estimativa de inflação para o ano de 2026. Esse foi o sexto recuo seguido do indicador.
Se confirmada a projeção, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, ficará abaixo do registrado no último ano, quando somou 4,26%.
Para anos seguintes, as expectativas foram mantidas, com previsão de 3,80% para 2027, e 3,50% para 2028 e 2029, indicando que o mercado antecipa inflação próxima à meta de longo prazo.
Taxa de juros e perspectivas
Após a taxa básica da economia ter sido mantida em 15% ao ano no mês passado, o mercado financeiro continua acreditando que os juros recuarão ao longo de 2026.
Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano. Ou seja, o mercado projeta uma queda de 2,25 pontos percentuais na Selic neste ano. Para 2027 a estimativa é de 10,50% ao ano, e para 2028 a previsão é de 10% ao ano.
PIB e câmbio
Para o crescimento do Produto Interno Bruto, o mercado manteve a estimativa de alta de 1,80% para 2026, abaixo dos cerca de 2,25% projetados para 2025, segundo o boletim.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB também foi mantida em 1,8%.
Na frente cambial, os economistas estimaram relativa estabilidade, com o dólar previsto para terminar 2026 em R$ 5,50. A moeda norte-americana recuou mais de 11% no ano passado e fechou 2025 em R$ 5,4887.
O que muda para a população
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%, o que amplia o foco do mercado em manter a inflação controlada.
Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população, pois os preços sobem e os salários tendem a não acompanhar esse ritmo, afetando principalmente quem recebe salários mais baixos.