Boletim Focus: mercado reduz estimativa de inflação 2026 para 3,95%, projeta Selic a 12,25% no fim do ano, PIB fraco e dólar em R$ 5,50
Inflação 2026 em destaque, com a queda da projeção para 3,95% e impacto em juros, câmbio e crescimento econômico, análise das principais previsões do mercado
O mercado financeiro ajustou para baixo a projeção da inflação para 2026, uma sinalização de arrefecimento das pressões de preços observadas no ano anterior.
As mudanças nas expectativas afetam diretamente as previsões para a taxa básica de juros, a trajetória do câmbio e as estimativas de crescimento do país.
Estimativas fazem parte do boletim ‘Focus’, divulgado nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras, conforme informação divulgada pelo g1.
Inflação e as projeções do Focus
Os economistas do mercado financeiro reduziram de 3,97% para 3,95% sua estimativa de inflação para o ano de 2026. Esse foi o sexto recuo seguido do indicador.
Se confirmada a projeção, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará abaixo do registrado no último ano, quando somou 4,26%.
Para 2027, a expectativa permaneceu estável em 3,80%, para 2028 a previsão foi mantida em 3,50% e para 2029 a estimativa continuou em 3,50%.
Taxa de juros e expectativas
Após a taxa básica da economia ter fechado 2025 em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos, na tentativa de conter a inflação, o mercado financeiro continua acreditando que os juros recuarão neste ano.
Para o fim de 2026, a projeção foi mantida em 12,25% ao ano. Ou seja, o mercado projeta uma queda de 2,25 pontos percentuais na Selic neste ano.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado foi mantida em 10,50% ao ano e para o fim de 2028 a estimativa continuou em 10% ao ano.
Câmbio, PIB e cenário econômico
O mercado financeiro projetou relativa estabilidade na taxa de câmbio neste ano, apesar do período eleitoral, que costuma pressionar o dólar para cima.
Após a moeda norte-americana ter recuado mais de 11% no ano passado, resultado também dos juros altos no Brasil, e fechado 2025 em R$ 5,4887, os economistas dos bancos mantiveram a expectativa de que a taxa terminará 2026 em R$ 5,50.
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado foi mantida em alta de 1,80% na semana passada, abaixo dos cerca de 2,25% projetados para o ano de 2025.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi mantida também em 1,8%.
O que muda para as pessoas e para a economia
Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população, especialmente entre quem recebe salários mais baixos, porque os preços sobem e os rendimentos nem sempre acompanham.
A redução na projeção para 3,95% pode aliviar expectativas e abrir espaço para cortes mais graduais na Selic, mas o ritmo de queda dependerá da evolução dos preços e dos indicadores econômicos.
Em resumo, o boletim Focus mostra um mercado mais confiante em trajetória moderada de preços para 2026, com impactos diretos nas decisões de juros, câmbio e nas perspectivas para o crescimento econômico nacional.