Brasil avalia integrar aliança de minerais críticos com EUA proposta por J.D. Vance, governo condiciona adesão à industrialização e valor agregado
Governo brasileiro diz estar aberto a parcerias na aliança de minerais críticos, mas afirma que “uma decisão não será tomada de forma célere”, e Itamaraty confirma presença na reunião em Washington
O Brasil participou de uma reunião em Washington em que o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, apresentou planos para reunir aliados em um bloco comercial de minerais críticos.
Autoridades brasileiras dizem que o país está aberto a parcerias que tragam **valor agregado**, e que qualquer decisão sobre a aliança de minerais críticos será tratada de forma bilateral e com calma.
No encontro, os Estados Unidos apresentaram propostas para alinhar cadeias de abastecimento de minerais estratégicos, enquanto o Itamaraty e ministérios brasileiros avaliam impactos econômicos e industriais, conforme informação divulgada pelo g1.
O encontro em Washington e a proposta dos EUA
O evento ocorreu na quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, e contou com a presença de autoridades e representantes de diversos países. O vice-presidente norte-americano J.D. Vance revelou a proposta de um bloco comercial voltado a minerais críticos.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que 55 países participaram das negociações em Washington, entre eles Coreia do Sul, Índia, Tailândia, Japão, Alemanha, Austrália e República Democrática do Congo, todos com diferentes capacidades de refino ou mineração.
Na segunda-feira, 2 de fevereiro, o governo dos EUA lançou um pacote estratégico chamado Projeto Vault, apoiado por US$ 10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos e por US$ 2 bilhões em financiamento privado, em esforço para garantir abastecimento diverso de minerais críticos.
Posição oficial do Brasil e condicionantes à aliança
O Itamaraty confirmou à Reuters que o Brasil esteve presente no encontro por meio da Embaixada em Washington, sem informar se o país vai aderir à iniciativa, nem como poderia se dar uma eventual participação.
Segundo integrantes do Planalto, “o Brasil está aberto a parcerias, desde que tragam valor agregado ao país”, e, pela dimensão do tema, “a questão precisa ser tratada de forma bilateral, e uma decisão não será tomada de forma célere”.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em tom de condicionamento, “Quem quiser vai ter que industrializar o nosso país”, posicionamento que reforça a exigência de ganhos industriais para qualquer acordo sobre minerais críticos.
Potencial e interesses sobre minerais estratégicos
O Brasil tem despertado interesse por seu potencial em minerais como terras raras, cobre, níquel e nióbio, e por reservas que podem fortalecer cadeias globais de valor.
No caso das terras raras, o Brasil tem a segunda maior reserva global, atrás apenas da China, mas conta com poucos projetos em desenvolvimento, o que coloca o país em uma posição estratégica, mas que exige investimentos em refino e tecnologia.
Comissões de diferentes países têm procurado mineradoras que atuam no Brasil e marcado reuniões com o Instituto Brasileiro de Mineração, que representa empresas como Vale, BHP e Anglo American.
Próximos passos e implicações comerciais
O Ministério de Minas e Energia afirmou que está aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais “em consonância com os interesses nacionais e com os princípios do desenvolvimento econômico e social do país”.
Fontes do governo disseram que o tema poderá ser colocado na agenda de uma eventual viagem do presidente ao exterior, e que a negociação sobre a aliança de minerais críticos deve avançar de modo bilateral, com avaliações sobre investimento, transferência tecnológica e impactos na indústria nacional.
A discussão envolve riscos e oportunidades, pois países interessados buscam segurança de abastecimento, enquanto o Brasil quer garantir **industrialização**, atração de investimentos e inserção em cadeias de valor mais complexas, sem acelerar decisões que possam comprometer interesses estratégicos do país.