Brasil avalia integrar aliança de minerais críticos com os EUA, condicionando adesão a industrialização e valor agregado em projetos de terras raras, nióbio e cobre
Reunião em Washington expôs interesse e cautela do Brasil sobre a aliança de minerais críticos com os EUA, incluindo ofertas financeiras e propostas de cadeia de valor, e Brasília pede garantias
O Brasil participou de encontro em Washington em que o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, apresentou planos para reunir aliados em um bloco comercial de minerais críticos, tema que envolve terras raras, cobre, níquel e nióbio.
Fontes do Planalto dizem que o governo brasileiro ainda avalia se integrará a essa aliança de minerais críticos, e que qualquer decisão dependerá de contrapartidas que gerem valor agregado e industrialização no país.
Autoridades brasileiras afirmam que a questão será tratada de forma bilateral e que uma decisão não será tomada de forma célere, diante da complexidade estratégica do tema.
conforme informação divulgada pelo g1
O que foi apresentado em Washington
Na conferência, o governo norte-americano apresentou o chamado Projeto Vault, um pacote estratégico de minerais críticos apoiado por US$ 10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos Estados Unidos, e por US$ 2 bilhões em financiamento privado.
Segundo a cobertura, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que 55 países participaram das negociações em Washington, entre eles Coreia do Sul, Índia, Japão, Alemanha e Austrália, com diferentes capacidades de refino ou mineração.
Posição oficial do Brasil
O Itamaraty confirmou que o Brasil esteve presente no encontro por meio da Embaixada em Washington, mas não detalhou se o país aderirá à aliança nem como se daria uma eventual participação.
Uma fonte do governo explicou que o Brasil está aberto a parcerias, desde que tragam valor agregado ao país, e que a dimensão do tema exige tratativas bilaterais e tempo para avaliação.
Interesses estratégicos e recursos no Brasil
O país tem atraído atenção internacional pelo potencial em recursos, inclusive porque o Brasil tem a segunda maior reserva global de terras raras, atrás apenas da China, embora conte com poucos projetos em desenvolvimento.
Minas e Energia declarou que está aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais “em consonância com os interesses nacionais e com os princípios do desenvolvimento econômico e social do país“, ressaltando que a atuação brasileira busca “o fortalecimento da cooperação internacional, a atração de investimentos, o desenvolvimento tecnológico e industrial no país e a inserção do Brasil nas cadeias globais de valor“.
Riscos, exigências e próximos passos
No Planalto, a avaliação é que o Brasil só entrará numa aliança de minerais críticos se houver compromisso claro com industrialização local e transferência tecnológica, e se as regras não resultarem em mera exportação de matéria-prima.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a afirmar que, em matéria de minerais, “Quem quiser vai ter que industrializar o nosso país“, indicando que a prioridade é agregar valor no Brasil.
Fontes informam que o governo se prepara para iniciar conversas sobre uma eventual visita do presidente a Washington, quando o tema poderá ser discutido em maior profundidade com os EUA e outros parceiros.