quinta-feira, junho 4, 2026

Brasil bate recorde nas exportações de carne bovina em 2025, 3,50 milhões de toneladas e US$ 18,03 bilhões, alta de 20,9% apesar do tarifaço dos EUA

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Setor amplia vendas para mais de 170 países, China responde por 48% do volume, e crescimento confirma resiliência e maturidade segundo MDIC e Abiec

O Brasil registrou em 2025 um novo recorde nas exportações de carne bovina, com crescimento expressivo em volume e em receita, mesmo após tarifas temporárias aplicadas pelos Estados Unidos.

O resultado mostra expansão em mercados tradicionais e diversificação de destinos, com ganhos especialmente concentrados em vendas para a China.

Os dados e avaliações citadas a seguir são baseados em levantamento do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes, conforme informação divulgada pelo g1.

Números e composição das exportações

No total de 2025, os frigoríficos brasileiros embarcaram 3,50 milhões de toneladas de carne bovina, um aumento de 20,9% em relação a 2024, e movimentaram US$ 18,03 bilhões, cerca de 40,1% a mais do que no ano anterior.

A carne bovina in natura respondeu pela maior parte dos embarques, com 3,09 milhões de toneladas, crescimento de 21,4% na comparação anual, e receita de US$ 16,61 bilhões, segundo o MDIC e a Abiec.

Destinos e variações por país

Os embarques alcançaram mais de 170 países, ampliando presença internacional e diversificando destinos. A China foi o principal destino, respondendo por 48% do volume total, com 1,68 milhão de toneladas que somaram US$ 8,90 bilhões.

Os Estados Unidos aparecem em seguida, com 271,8 mil toneladas e US$ 1,64 bilhão. Outros destinos relevantes foram Chile com 136,3 mil toneladas e US$ 754,5 milhões, a União Europeia com 128,9 mil toneladas e US$ 1,06 bilhão, a Rússia com 126,4 mil toneladas e US$ 537,1 milhões, e o México com 118,0 mil toneladas e US$ 645,4 milhões.

Na comparação com 2024, houve crescimento em volume na maior parte dos principais destinos, com avanço de 22,8% para a China e de 18,3% para os Estados Unidos. Destaques de alta percentual incluem a União Europeia com 132,8%, o Chile com 29,8%, a Argélia com +292,6%, o Egito com +222,5% e os Emirados Árabes Unidos com +176,1%.

Reação do setor e perspectivas para 2026

Para o presidente da Abiec, Roberto Perosa, o desempenho de 2025 demonstra a “resiliência e a maturidade do setor”. Em avaliação oficial, Perosa afirmou, “O desempenho de 2025 foi extraordinário. Depois de um 2024 muito positivo, conseguimos ampliar volume, valor e presença internacional. Mesmo com impactos temporários, como o tarifaço dos Estados Unidos, a indústria respondeu com rapidez, mostrou resiliência e saiu ainda mais fortalecida”.

A Associação projeta otimismo com realismo para 2026, esperando estabilidade em patamar elevado após dois anos consecutivos de forte crescimento. Segundo a Abiec, há negociações ativas e expectativa de avanço em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, com trabalho técnico e contínuo em parceria entre setor privado e governo, como ressaltou Perosa: “Entramos em 2026 com negociações ativas e perspectiva concreta de avançar em mercados como Japão, Coreia do Sul e Turquia, que têm alto potencial e vêm sendo trabalhados de forma técnica e contínua, em parceria entre o setor privado e o governo”, conclui Perosa.

Impacto do tarifaço dos Estados Unidos

O chamado tarifaço temporário imposto pelos Estados Unidos gerou preocupação, mas não impediu o avanço das exportações brasileiras em 2025. As vendas para o mercado norte-americano cresceram 18,3% no acumulado do ano, indicador da capacidade de adaptação do setor e do reforço de canais alternativos de venda.

No conjunto, a combinação de maior volume, ganho de valor em dólar e diversificação de clientes explica por que o setor brasileiro de carne bovina atingiu novo recorde em 2025, mesmo em um cenário de tensões comerciais pontuais.

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