Brasil e EUA avaliam aliança de minerais críticos em bloco comercial proposto por J.D. Vance, com foco em industrialização e proteção de reservas estratégicas
Negociações em Washington sobre minerais críticos colocam Brasil no centro de interesse dos EUA, com promessa de financiamento e exigência de cadeias de valor
O governo brasileiro participou de uma reunião em Washington em que o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, apresentou a ideia de reunir aliados em um bloco comercial para garantir o abastecimento de minerais críticos.
Fontes do Planalto dizem que o Brasil ainda avalia se vai aderir à iniciativa, e que qualquer decisão dependerá de garantias de valor agregado ao país e de tratativas bilaterais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não será apenas exportador de matérias-primas, dizendo, “Quem quiser vai ter que industrializar o nosso país”, posicionamento que orienta a avaliação brasileira sobre a aliança.
conforme informação divulgada pelo g1
O que foi tratado em Washington
Na reunião com autoridades e representantes de vários países, o vice-presidente J.D. Vance apresentou a proposta de um bloco para minerais críticos, em um contexto em que os EUA intensificam medidas para reduzir vulnerabilidades de abastecimento.
Segundo relatos, a iniciativa americana busca parceiros com capacidade de mineração, refino ou processamento, visando diminuir dependência externa e diversificar fornecedores de matérias como terras raras, cobre, níquel e nióbio.
Fontes ouvidas apontaram que a Embaixada do Brasil em Washington participou do encontro, mas o Itamaraty não informou se haverá adesão imediata ou como se daria uma eventual participação brasileira.
Interesses e condicionantes do Brasil
Do lado brasileiro, a avaliação pública e interna parte do princípio de que parcerias internacionais devem trazer valor agregado e contribuir para o desenvolvimento tecnológico e industrial do país.
O governo colocou como condição que o tema seja tratado bilateralmente, e que decisões sobre ingresso em blocos comerciais não serão tomadas de forma célere, segundo integrantes do Planalto.
O Ministério de Minas e Energia disse que está aberto ao diálogo e a iniciativas internacionais, desde que estejam em consonância com os interesses nacionais e com princípios de desenvolvimento econômico e social.
Contexto global e o Projeto Vault
Os Estados Unidos, no âmbito de uma estratégia mais ampla, lançaram o chamado Projeto Vault, pacote de minerais críticos com apoio financeiro inicial do governo e de investidores privados.
Conforme divulgado, o Projeto Vault prevê US$ 10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos EUA, e US$ 2 bilhões em financiamento privado, medida que visa acelerar cadeias de valor fora da esfera de influência predominante.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que 55 países participaram das negociações em Washington, entre eles Coreia do Sul, Índia, Tailândia, Japão, Alemanha, Austrália e República Democrática do Congo, todos com diferentes capacidades de refino ou mineração.
Potencial do Brasil e próximos passos
O Brasil atrai interesse por abrigar grandes reservas de minerais, incluindo a segunda maior reserva global de terras raras, atrás apenas da China, embora ainda conte com poucos projetos em desenvolvimento para esse segmento.
Comissões estrangeiras têm procurado mineradoras brasileiras e o Instituto Brasileiro de Mineração, que representa grandes empresas do setor como Vale, BHP e Anglo American, em busca de parcerias e investimentos.
O governo também se prepara para iniciar conversas sobre uma eventual viagem do presidente Lula a Washington, e, caso o tema seja de interesse mútuo, a participação brasileira na aliança de minerais críticos poderá ser discutida nesse encontro.
Em resumo, a proposta americana abre uma janela de oportunidade, mas o Brasil mantém requisitos claros: qualquer acordo deve gerar industrialização, atração de investimentos e inserção em cadeias de valor que beneficiem a economia nacional.