Brasileira e irmão de porta-voz de Trump: A guerra judicial pela guarda do filho de 11 anos que chocou os EUA

Brasileira e irmão de porta-voz de Trump se enfrentaram em disputa judicial amarga pela guarda do filho

Uma intensa batalha legal pela guarda de uma criança, que se arrasta há mais de dez anos, expõe um conflito familiar com conexões surpreendentes no cenário político dos Estados Unidos. O centro da disputa é Michael Leavitt, de 11 anos, filho de uma brasileira e do irmão de Karoline Leavitt, porta-voz do ex-presidente Donald Trump.

O caso, que ganhou destaque após uma reportagem do jornal “The Washington Post”, revela acusações mútuas de abuso e negligência entre os pais. A brasileira, que prefere não ter seu nome divulgado, concedeu entrevista exclusiva ao jornal americano diretamente de um centro de detenção na Louisiana, onde se encontra.

Ao longo de uma década, diversos juízes determinaram que o casal compartilhasse a guarda de Michael e buscasse resolver suas diferenças fora dos tribunais. No entanto, a escalada das acusações e a complexidade da situação imigratória da mãe tornaram o processo extremamente delicado. Conforme divulgado pelo “The Washington Post”, a mãe alega ter sido ameaçada de deportação e lutava para manter a convivência com o filho, enquanto o pai a acusava de negligência.

O início da disputa e as acusações mútuas

A brasileira deu à luz seu filho em março de 2014. Poucos meses depois, o noivado do casal chegou ao fim, e a disputa pela guarda de Michael se intensificou rapidamente. Nos tribunais, ambos trocaram graves acusações.

Em abril de 2015, o pai entrou com um pedido de guarda principal em um tribunal de New Hampshire. Ele alegou que a mãe o havia empurrado durante uma discussão na Flórida, que ela retornou para casa sem ele, pegou o filho na casa dos avós e ameaçou levá-lo para o Brasil. A brasileira, por sua vez, negou as acusações e apresentou documentos acusando o pai de abuso, relatando que ele a empurrou embriagado no dia do seu chá de bebê, socou paredes e quebrou portas.

Pensão alimentícia e alegações de intimidação

Em abril de 2020, a brasileira retornou ao tribunal, alegando que Michael Leavitt lhe devia milhares de dólares em pensão alimentícia e se recusava a permitir que ela passasse tempo com o filho. Ela também afirmou que o pai usou intimidação, baseada em seu status imigratório, para impedi-la de visitar o menino, o que ele negou nos autos do processo.

Dias depois, a juíza do tribunal de família, Polly Hall, ordenou que Leavitt compartilhasse a guarda, conforme o plano parental já estabelecido. Em 2021, o casal chegou a um acordo para que o filho morasse com o pai durante a semana, frequentando a escola em New Hampshire, enquanto a mãe o visitaria nos fins de semana e o levaria para o Brasil nas férias de verão, permitindo que ele obtivesse a dupla cidadania.

Conexão com a porta-voz de Trump e a versão do pai

Desde a prisão da brasileira pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), o gabinete de imprensa da Casa Branca tem retratado a mãe como ausente na vida do sobrinho de Karoline Leavitt. O irmão dela, Michael Leavitt, de 35 anos, corroborou essa versão em mensagens trocadas com o “Post”, afirmando que Bruna nunca morou com o filho.

Contudo, em documentos judiciais de 2015, o próprio Michael Leavitt declarou que eles compartilhavam uma casa e registrou ambos no mesmo endereço. Bruna Ferreira também mencionou o apartamento que dividiam em um artigo de jornal local de 2014. Na reportagem, o casal, então com pouco mais de 20 anos, posou com o filho recém-nascido, e Bruna expressou gratidão: “Não precisamos de muita coisa. Temos saúde. Temos um bom apartamento. Somos realmente abençoados”.

O futuro incerto e a defesa da brasileira

Morando nos Estados Unidos desde os 6 anos, a brasileira tornou-se elegível para um programa de imigração para indocumentados que chegaram ao país ainda crianças. Antes de sua prisão, sua rotina incluía administrar duas empresas, frequentar aulas de ioga e cuidar do filho, levando-o à escola, apoiando-o em esportes e mantendo seu quarto repleto de brinquedos e itens de seu interesse.

Segundo os advogados de defesa de Bruna, Michael Leavitt e seu pai, Bob Leavitt, teriam sugerido nas últimas semanas que ela se “autodeportasse” e tentasse retornar legalmente. Seus advogados alertam que essa medida seria desastrosa, pois, pela lei federal, ela ficaria proibida de retornar aos EUA por uma década. “É uma armadilha”, alertou o advogado Todd C. Pomerleau.