Brasileiro que desafia o ICE relata abordagem em Minnesota, questiona mandado de busca e descreve plano emergencial da família diante de risco de desnaturalização

Relato do professor naturalizado envolve confrontos com cerca de dez agentes, cobranças por documentos e medidas de proteção familiar após operação em bairro de maioria latina

Um professor universitário brasileiro, que se apresenta como integrante de um grupo de resposta rápida, descreveu um encontro tenso com agentes do ICE em Minnesota, após a morte de uma moradora local.

Ele diz que, ao ver os agentes tentando entrar em residências, questionou se eles tinham um mandado, e que a reação foi imediata e agressiva por parte de um dos agentes.

As informações sobre o episódio foram relatadas em entrevista ao podcast O Assunto, conforme informação divulgada pelo g1.

O encontro com os agentes do ICE

O professor, identificado como Pedro de Abreu Gomes dos Santos, conta que presenciou cerca de dez agentes do ICE tentando entrar em casas no dia seguinte ao disparo que matou Renée Nicole Good, de 37 anos.

Ao ver os agentes, ele diz ter perguntado, ‘Você tem o mandado de prisão ou o mandado de busca e apreensão?’, uma pergunta que, segundo ele, provocou uma resposta ríspida.

Ele relata que um agente perguntou, ‘Você tem os seus documentos? Você pode provar que você é cidadão americano?’, e que se recusou a apresentar identificação com base na legislação local.

Reação, supervisão e intimidação

Segundo Pedro, a tensão só diminuiu com a chegada de um supervisor, embora a chamada calma fosse relativa, pois ele descreve seis agentes circulando seu carro enquanto conversavam.

Ele destaca diferença entre agentes de carreira e recrutas novos, e afirma que o questionamento das ações do ICE muitas vezes gera reações violentas de agentes menos experientes.

Pedro afirma que, ‘Eles ficam nervosos quando as pessoas começam a filmar porque não podem mais fazer o que estavam fazendo, que normalmente são coisas ilegais’, descrevendo um clima de vigilância constante.

Plano com a família e rotina de precaução

O relato motivou Pedro e sua esposa a criar um protocolo de emergência, com reserva financeira específica para deslocamentos repentinos e organização imediata de documentos.

Ele diz que passou a portar documentos de cidadania de forma permanente, uma prática que se espalhou entre brasileiros da região, e que antes não consideravam necessária.

O professor conclui que a possibilidade de processos de desnaturalização movidos pelo governo transformou em necessidade logística algo que antes parecia impensável, e que já discutem, ‘o que fazer caso eu seja preso ou caso eu seja deportado’.

Contexto local e repercussão

O caso ocorre em um momento de aumento das operações federais em Minnesota, com intensificação da presença do ICE no estado, e trouxe protestos na rua onde Renee Nicole Good foi baleada.

O episódio foi contado ao podcast O Assunto, que, desde a estreia em agosto de 2019, soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio, e no YouTube o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações, segundo a reportagem do g1.

O relato do brasileiro que desafia o ICE ilustra a sensação de insegurança que atinge imigrantes documentados, naturalizados e crianças nas comunidades afetadas, e levanta dúvidas sobre práticas de abordagem e o uso de força pela agência.