quinta-feira, junho 4, 2026

Brasileiro que desafia o ICE relata abordagem tensa em Minnesota, questionou mandado, sofreu intimidação e organizou plano de emergência com a família

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Brasileiro que desafia o ICE contou que perguntou aos agentes se havia mandado de busca e apreensão, foi confrontado na rua, e temeu medidas de desnaturalização enquanto organiza rotina de emergência

Um professor brasileiro que se declara ativo em ações de defesa de imigrantes relatou uma abordagem tensa com agentes do ICE em um bairro de maioria latina em Minnesota.

Ele questionou a legalidade das ações no local, foi interpelado pelos agentes e decidiu não apresentar documentos, apoiado por legislação local e por seu status de cidadão naturalizado.

O relato foi feito em entrevista ao podcast O Assunto, conforme informação divulgada pelo g1.

O encontro com os agentes do ICE

Pedro de Abreu Gomes dos Santos, professor de Ciência Política, disse que testemunhou cerca de dez agentes tentando entrar em residências no dia seguinte à morte de Renée Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do ICE no início de janeiro.

Ao ver os agentes, ele perguntou, ‘Você tem o mandado de prisão ou o mandado de busca e apreensão?’, e descreveu a reação imediata e agressiva de um dos oficiais, que questionou sua cidadania, dizendo, ‘Você tem os seus documentos? Você pode provar que você é cidadão americano?’.

Pedro relatou que se recusou a apresentar identificação naquele momento, alegando que, como cidadão naturalizado, não era obrigado a fazê-lo naquela circunstância, e que a tensão só diminuiu com a chegada de um supervisor, embora ainda houvesse agentes ao redor do seu carro.

Intimidação, vigilância e diferenças entre agentes

O professor descreveu sensação de intimidação, e afirmou que há diferença entre agentes de carreira e novos recrutas, com reações mais violentas entre os menos treinados.

Ele afirmou que eles ficam nervosos quando as pessoas começam a filmar, porque, segundo sua leitura, isso impede práticas que muitas vezes seriam ilegais.

Pedro também observou o impacto comunitário, citando que até crianças americanas de origem somali hoje correm para casa ao avistar veículos suspeitos em pontos de ônibus.

Plano com a família e mudanças práticas

O episódio levou Pedro e sua esposa a montar um plano de emergência, diante do receio de processos de desnaturalização ou de uma detenção repentina.

Entre as medidas estão a criação de um fundo de emergência para viagens inesperadas, a organização de toda a documentação necessária para acesso imediato, e o hábito de portar documentos de cidadania de forma permanente, prática que, segundo ele, se espalhou entre brasileiros na região.

Ele resumiu a mudança de rotina, dizendo, ‘Eu e minha esposa já começamos a conversar sobre o que fazer caso eu seja preso ou caso eu seja deportado. É realmente uma coisa que eu nunca pensei em ter que planejar’.

Contexto mais amplo e repercussão

O caso ocorreu em um contexto de aumento das operações federais em Minnesota, com presença do ICE ampliada pela administração federal, e em meio à repercussão pela morte de Renée Nicole Good.

Protestos reuniram manifestantes na rua onde a mulher foi baleada, e o episódio alimentou discussões sobre táticas e treinamentos da agência.

O relato foi divulgado no podcast O Assunto, que, desde a estreia, em agosto de 2019, soma mais de 168 milhões de downloads em todas as plataformas de áudio, e, no YouTube, o podcast diário do g1 soma mais de 14,2 milhões de visualizações, conforme informação divulgada pelo g1.

Pedro, que é americano naturalizado, leciona no College of Saint Benedict e na Saint John’s University, e afirmou que sua visibilidade em eventos de resistência aumentou seu receio pessoal, levando à reorganização da rotina familiar e ao reforço de medidas de proteção.

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