Brasilização da economia global, alerta The Economist, por que países ricos podem enfrentar juros altos, dívida em espiral e instituições sob pressão

Como a ideia de brasilização da economia global aponta para um cenário em que juros altos e dívidas crescentes tornam a gestão fiscal cada vez mais difícil

A revista The Economist usou o Brasil como um aviso sobre um processo que pode afetar países ricos, quando indicadores aparentemente sólidos convivem com dinâmica de endividamento explosiva.

O texto destaca que, com taxa básica de juros muito elevada, o custo de serviço da dívida pode consumir fatias relevantes do PIB, limitando políticas públicas e crescimento.

As informações citadas nesta reportagem seguem o conteúdo divulgado pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1

Brasil como alerta antecipado

A publicação afirma que o Brasil combina fatores que parecem positivos, como crescimento, banco central independente e um orçamento primário “quase equilibrado”, com uma trajetória de dívida preocupante.

A revista diz que, com a Selic em 15% ao ano, o governo brasileiro “provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros”.

A reportagem ainda observa que “Sua dívida líquida, em 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas baixa para os do mundo rico.”

Por que os juros e a estrutura fiscal pesam

A The Economist atribui as taxas elevadas a uma combinação de fatores institucionais e históricos, incluindo instituições que teriam “vacilado” durante a tentativa de golpe de 2022, e uma inflação com “um pavio mais curto” por traumas de hiperinflação.

O texto lembra também a rigidez do gasto público, citando que “O Brasil destina cerca de 10% do PIB ao pagamento de aposentadorias” e que, sem reformas, o país gastará mais em 2050 com pensões do que países mais ricos e mais envelhecidos.

As pensões, segundo a revista, são protegidas na Constituição, o que torna difícil equilibrar contas e desloca outros gastos, prejudicando a credibilidade fiscal.

Impacto global e sinais entre países ricos

A análise sustenta que a “aflição fiscal do Brasil lança em relevo os orçamentos do mundo rico” e que os sintomas iniciais já aparecem nos Estados Unidos, com instituições sob pressão e inflação mais difícil de controlar após a pandemia.

A The Economist cita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “politizou o Departamento de Justiça”, deseja controlar o Federal Reserve e “cogita federalizar as eleições” como exemplos de tensão institucional.

Para o veículo, o peso crescente de aposentadorias e gastos com saúde também tende a pressionar os orçamentos do mundo rico, abrindo brecha para um processo comparável à “brasilização da economia global”.

Escolhas políticas e cenários possíveis

A revista afirma que o Brasil enfrenta uma escolha difícil entre “uma austeridade profunda e uma espiral aterradora de juros e dívida”, e que a saída pela austeridade parece politicamente inviável no curto prazo.

Além disso, a publicação aponta que a crise fiscal não se resume às políticas do governo atual, mas a um sistema capturado por interesses protegidos, e que, por isso, “os pessimistas estão certos em prever problemas”.

O FMI projeta que “a dívida pública bruta do Brasil vai atingir 99% do PIB em 2030. Em 2010, correspondia a 62%.” A revista também reconhece avanços como o teto para isenções e o IVA dual, que “pode elevar o PIB em até 4,5% até 2033”, mas diz que, sem reformas estruturais, o país seguirá preso a um modelo fiscal insustentável.

Por fim, o texto lembra que “As estimativas dos custos econômicos variam, mas são da mesma ordem de grandeza da perda de crescimento devido à falta de credibilidade fiscal, o que equivale a talvez meio ponto percentual do PIB anualmente.”