Brasilização da economia global, The Economist alerta que países ricos devem temer juros altos, dívida crescente e instituições fragilizadas

Como a Brasilização pode alastrar-se, o veículo aponta juros elevados, gasto com pensões e instituições sob pressão que ameaçam orçamentos avançados

Brasilização virou, segundo a análise, um rótulo para o risco de economias avançadas conviverem com juros persistentemente altos e dívida pública difícil de controlar.

O temor é que uma combinação de fatores — custo elevado do serviço da dívida, rigidez de gastos e instituições fragilizadas — leve países ricos a dilemas fiscais semelhantes aos do Brasil.

O alerta e os dados sobre essa dinâmica foram compilados pela imprensa internacional e repercutidos no Brasil, conforme informação divulgada pelo g1.

O que a análise destaca sobre a situação brasileira

A reportagem menciona que, com a taxa básica de juros em 15% ao ano, o governo brasileiro, “provavelmente tomará emprestado cerca de 8% do PIB por ano apenas para pagar a conta de juros”, mesmo mantendo as contas primárias próximas do equilíbrio.

O texto ressalta ainda que “Sua dívida líquida, em 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas baixa para os do mundo rico”, e cita estimativas do Fundo Monetário Internacional de que a dívida pública bruta do Brasil “vai atingir 99% do PIB em 2030. Em 2010, correspondia a 62%”.

Por que juros, pensões e instituições importam

A reportagem explica que a combinação de uma inflação com pavio curto, memória da hiperinflação, e uma estrutura de gastos rígida pressiona as contas públicas. O texto aponta que o Brasil gasta cerca de 10% do PIB com aposentadorias, e que “as pensões são protegidas na Constituição, que, por exemplo, determina que, quando o salário mínimo sobe, os aposentados também recebam mais”.

Esses elementos tornam a trajetória da dívida sensível a juros mais altos, porque menos espaço fiscal fica disponível para ajustes, e ampliam o risco de uma espiral entre juros e dívida pública.

Política, mercado e viabilidade da austeridade

O veículo avalia que a saída pela austeridade parece politicamente inviável no curto prazo. O texto cita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que disputa a reeleição, “afrouxou os cordões da bolsa”, reduzindo a probabilidade de um ajuste fiscal severo antes das eleições.

Segundo a análise, a crise fiscal brasileira não se explica apenas por escolhas do governo atual, mas também por um sistema capturado por interesses protegidos pela Constituição, além de um sistema tributário descrito como uma “bagunça” que mina a confiança do mercado e reduz o crescimento.

Lições para economias ricas e cenários a vigiar

A reportagem usa o Brasil como um alerta antecipado para o mundo rico e afirma que sinais iniciais da chamada Brasilização já aparecem nos Estados Unidos, com instituições sob pressão e inflação mais difícil de controlar após a pandemia.

O texto observa que, assim como no Brasil, o peso crescente de aposentadorias e gastos com saúde tende a pressionar os orçamentos do mundo rico. Também cita, sobre os EUA, que o presidente Donald Trump “politizou o Departamento de Justiça”, deseja controlar o Federal Reserve e “cogita federalizar as eleições”.

Para evitar a trajetória preocupante, o artigo defende reformas estruturais, incluindo ajustes no sistema tributário e medidas para conter a rigidez dos gastos. Sem mudanças desse tipo, a análise conclui que o país pode ficar preso a um modelo fiscal insustentável que reduz crescimento e aumenta o custo de tomada de dívida.

As informações e as citações deste texto foram extraídas e compiladas a partir do material repercutido no g1.