quinta-feira, junho 4, 2026

BRB entrega Plano de Capital preventivo ao Banco Central após crise com Master, detalha ações para recompor patrimônio e pode necessitar de aporte mínimo de R$ 5 bilhões

Share

Plano de capital BRB prevê medidas nos próximos 180 dias para fortalecer o balanço, valores serão definidos após investigações, governo do Distrito Federal, controlador, acompanha o processo

O Banco de Brasília entregou ao Banco Central o Plano de Capital, documento que reúne ações preventivas para recompor o patrimônio da instituição caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro.

A reunião com o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, durou cerca de duas horas na sede do Banco Central, em Brasília, e contou com a participação do secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaias.

O BRB informou que os eventuais valores necessários só serão definidos após a conclusão das investigações em andamento, conforme informação divulgada pelo g1

O que o plano apresenta

Segundo o documento entregue ao regulador, o plano “apresenta um conjunto de ações preventivas de recomposição de capital a serem implementadas nos próximos 180 dias, caso seja comprovada a necessidade de aporte financeiro”, e reafirma o compromisso do banco com transparência e proteção de clientes, investidores e parceiros.

O conteúdo detalhado do plano foi mantido em sigilo pelo BRB e pelo Banco Central, mas o próprio banco listou alternativas já estudadas, entre elas a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário com imóveis do governo do Distrito Federal, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, e aporte direto dos controladores.

Por que o plano foi montado

A necessidade do plano tem relação direta com operações feitas entre o BRB e o Banco Master no fim de 2024 e em 2025. O BRB comprou carteiras de crédito pelo valor de bilhões, e posteriormente surgiram suspeitas sobre a origem e a qualidade desses ativos, o que enfraqueceu o balanço patrimonial do banco.

O Banco Central estima que, considerando a situação atual do BRB, o aporte necessário será de pelo menos R$ 5 bilhões. O governo do Distrito Federal é acionista controlador do BRB, com 71,92% do capital, e terá papel decisivo em eventuais operações que afetem o caixa público.

Investigação do caso Master e números citados

Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir parte do Master, operação barrada pelo Banco Central. O Master foi liquidado em novembro por problemas de liquidez. Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master, e o Ministério Público identificou indícios de gestão fraudulenta nessas transferências.

Segundo as investigações, cerca de R$ 12 bilhões teriam sido destinados a carteiras de crédito consideradas podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras. Em material de apoio, a reportagem também registrou que o Banco Master, em operações apontadas como inconsistentes, comprou R$ 6,7 milhões em créditos, não pagou e revendeu ao BRB por R$ 12,2 bilhões, segundo dados citados pela apuração.

Impacto e próximos passos

Técnicos consultados pelo g1 afirmaram que não há risco imediato de falência ou liquidação do BRB, em parte porque o acionista controlador é o governo do Distrito Federal, com capacidade para socorrer a instituição se necessário.

Nas próximas semanas, o BRB e o Banco Central deverão avaliar o desfecho das investigações e os impactos no balanço para definir valores concretos de recomposição. Medidas que impliquem desembolso do governo do DF deverão passar por aprovação política na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O BRB reiterou no comunicado que o plano foi elaborado para “garantir a sustentabilidade da instituição, o plano fortalece o capital institucional e assegura a estabilidade das operações” e que adotará as medidas necessárias para preservar a integridade e a continuidade de suas atividades.

Leia Mais

Fique por dentro