BRB Master: plano de capitalização para cobrir rombo pode envolver empréstimo do FGC, aporte do GDF e FII com imóveis públicos, aval do BC é obrigatório
Plano do BRB Master avaliado pelo banco inclui empréstimo junto ao FGC, aporte dos controladores e criação de FII com imóveis do governo do DF, medidas dependem do Banco Central e da Câmara
O Banco de Brasília estuda alternativas para cobrir um possível rombo relacionado às operações com o Banco Master, enquanto uma auditoria ainda calcula o montante das perdas.
Entre as opções estão empréstimo, aporte de acionistas e a criação de um fundo imobiliário com imóveis do governo do Distrito Federal, além de outras medidas que serão submetidas ao Banco Central.
O banco tem prazo até março para apresentar o plano de capitalização e as propostas também precisariam ser aprovadas pela Câmara Legislativa do DF, conforme informação divulgada pelo g1.
Como surgiu o prejuízo e o que está sendo apurado
O prejuízo está ligado a transferências e operações com o Banco Master. Segundo apuração, o BRB aportou R$ 16,7 bilhões no Banco Master entre 2024 e 2025, e o Ministério Público identifica indícios de gestão fraudulenta nessas transferências.
Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar boa parte do Master, operação que contou com forte apoio do governo do Distrito Federal, controlador do banco, mas que foi barrada pelo Banco Central.
Além da tentativa de aquisição, a Polícia Federal investiga se o BRB comprou carteiras de crédito problemáticas do Master e se houve falhas nos processos internos de análise, aprovação e governança das operações, incluindo a operação Compliance Zero deflagrada em novembro.
Alternativas em estudo para capitalizar o banco
O BRB começou a desenhar um plano de capitalização que, segundo comunicado, pode envolver várias frentes. Entre as medidas citadas pelo banco estão a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do governo do Distrito Federal, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e aporte dos controladores.
A TV Globo apurou que as estimativas sobre o valor do aporte necessário superam os R$ 3 bilhões. O governo do DF é o acionista controlador do BRB, e detém 71,92% do capital do banco, papel que o torna central nas decisões sobre eventuais aportes.
Em notas anteriores, o próprio governo do DF afirmou que tem patrimônio suficiente para “socorrer” o BRB, caso seja necessário, e o banco informou que o plano será encaminhado ao Banco Central para aprovação.
Trâmites, prazos e riscos
Se forem incluídas no plano e chanceladas pelo Banco Central, as medidas citadas pelo banco precisariam também da aprovação da Câmara Legislativa do DF, o que adiciona etapas políticas e regulatórias ao processo.
O BRB tem até março para apresentar o plano ao Banco Central, e a implementação dependerá do resultado da auditoria que apura o rombo, das decisões do regulador, e do eventual apoio da base acionária pública do banco.
Há também riscos reputacionais e jurídicos enquanto a investigação da PF e do Ministério Público avança, e a substituição da direção, que incluiu o afastamento e depois demissão de Paulo Henrique Costa, demonstra o impacto institucional do caso.
Por fim, o banco reafirma compromisso com a estabilidade e, em comunicado, declarou, “Por fim, o Banco reforça que permanece sólido, seguro e operando normalmente“.