BRB planeja emissão de até 1,67 bilhão de ações e aumento de capital de R$ 8,86 bilhões, governo do DF oferece imóveis de R$ 6,6 bilhões
Proposta prevê que o BRB eleve o capital social para até R$ 11,2 bilhões com emissão de ações, e que o GDF entregue nove imóveis avaliados em R$ 6,6 bilhões como garantia
O BRB apresenta um plano para reforçar seu patrimônio por meio da oferta de ações ao mercado, e o governo do Distrito Federal propõe entregar imóveis públicos como forma de socorro, aumentando as alternativas de capitalização do banco.
A proposta prevê a emissão de ações e a possibilidade de uso de imóveis do GDF como garantia para empréstimos, objetivo apontado para restaurar confiança após operações mal-sucedidas em aquisições anteriores.
Todos os números e medidas foram descritos em documento que será levado à assembleia de acionistas, conforme informação divulgada pelo g1
Como funciona a emissão e o impacto no capital
Segundo a proposta, o BRB pretende emitir até 1,67 bilhão de ações ordinárias nas próximas semanas para captar recursos no mercado financeiro. A emissão tem como meta aumentar o capital social do banco em, no mínimo, R$ 529 milhões, e, no máximo, R$ 8,86 bilhões.
Hoje o capital social do banco é de R$ 2,34 bilhões, e se o BRB conseguir captar o montante máximo, passaria a ter um capital de R$ 11,2 bilhões, quase quatro vezes o valor atual. A operação ainda depende da aprovação dos acionistas na Assembleia Geral Extraordinária marcada para 16 de março.
Imóveis do GDF e a alternativa de garantia
Como complemento ao plano de emissão, o governo do Distrito Federal propôs a entrega de nove imóveis públicos, avaliados em R$ 6,6 bilhões, que poderiam ser vendidos ou usados como garantia em um empréstimo para reforçar o patrimônio do BRB.
Os ativos indicados incluem lotes no SIA vinculados à Caesb, à CEB e à Novacap, a sede do Centro Administrativo do DF em Taguatinga, e a “Gleba A” de 716 hectares pertencente à Terracap. A lista completa ainda está sujeita à aprovação na Câmara Legislativa do DF.
Com essa garantia do governo, o BRB teria condições de captar recursos a custos potencialmente menores, mas existe o risco de que, caso o empréstimo não seja honrado, os imóveis precisem ser alienados para quitar o compromisso.
Riscos, controle acionário e próximos passos
O plano precisa do aval dos acionistas, entre eles o governo do DF, que detém 71,92% do capital do banco. A operação surge após perdas relacionadas à compra do Banco Master, que abalaram o balanço e a credibilidade do BRB.
Além da assembleia marcada para 16 de março, a proposta de entrega de imóveis precisa passar pela Câmara Legislativa do DF, e já enfrenta resistência de parte da oposição e de aliados do governador. O banco também citou a hipótese de tomar empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito, com a garantia dos imóveis.
Se aprovada a emissão e as garantias, o BRB poderá reforçar seu patrimônio e buscar condições de mercado mais favoráveis, e se rejeitada, o banco terá menos alternativas imediatas para recompor capital, aumentando a pressão sobre sua administração.