Briga entre Trump e Jerome Powell, origem e riscos da investigação do DOJ contra o presidente do Fed, e por que o confronto pode ameaçar a independência do Banco Central dos EUA

Entenda como a disputa entre Trump e Jerome Powell, alimentada por críticas às taxas de juros e por um inquérito sobre reformas da sede do Fed, pode reverberar na economia global

A crise entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o chefe do Federal Reserve, Jerome Powell, escalou depois de Powell confirmar que se tornou alvo de uma investigação do Departamento de Justiça, o DOJ.

O episódio junta críticas públicas de Trump à política de juros do Fed, conversas sobre substitutos potenciais para Powell e agora um inquérito ligado ao depoimento sobre a reforma da sede do Banco Central.

O caso levanta dúvidas sobre a independência do Fed, e sobre se decisões de política monetária ficarão sujeitas a pressão política, conforme informação divulgada pelo g1.

Como começou a briga entre Trump e Jerome Powell

A tensão entre Trump e Powell se intensificou desde o primeiro mandato do ex-presidente e voltou a aumentar após o retorno de Trump à Casa Branca. O presidente tem sido cada vez mais explícito ao criticar as decisões do Fed e a pedir cortes nas taxas de juros.

Em março, depois de o Fed manter as taxas estáveis, Trump afirmou que o banco central estaria “muito melhor se cortasse as taxas”. Em abril, ao anunciar tarifas de importação, ele disse que taxas mais baixas ajudariam a economia a absorver os aumentos de custo resultantes das tarifas.

Ao longo de 2025, Trump fez ataques diretos a Powell, chamando-o de “estúpido” e de “cabeça oca” depois que o Fed não cortou juros de imediato, e chegou a pressionar por trocas no comando do Fed, com nomes como Scott Bessent e Kevin Hassett sendo mencionados na imprensa.

Por que Powell passou a ser investigado

A investigação do DOJ está ligada ao depoimento de Powell ao Comitê Bancário do Senado em junho, quando ele minimizou custos relacionados à reforma de US$ 2,5 bilhões, R$ 15,6 bilhões, da sede do Fed em Washington.

Powell disse que o projeto era autofinanciado e não custaria ao contribuinte, e negou a aquisição de itens de luxo. O presidente do Comitê Bancário, Tim Scott, havia questionado o projeto após reportagem que comparou o prédio a Versalhes.

Em julho, a congressista Anna Paulina Luna prometeu encaminhar ao DOJ uma acusação por perjúrio. A Procuradoria-Geral, segundo porta-voz, “a Procuradoria-Geral instruiu os procuradores federais a priorizar a investigação de qualquer abuso do dinheiro dos contribuintes.”

O que Powell disse sobre a investigação e os riscos à independência do Fed

Powell classificou a abertura do inquérito como uma “ação sem precedentes” que, segundo ele, estaria ligada à pressão do governo sobre a política de juros. Em vídeo, ele afirmou que os motivos divulgados são pretextos.

Em suas palavras, “Esta nova ameaça não tem que ver com meu depoimento em junho passado ou com a reforma dos prédios do Federal Reserve, Esses são pretextos”. Ele insistiu que “trata-se de saber se o Fed será capaz de continuar a definir as taxas de juros com base em evidências e condições econômicas ou se, em vez disso, a política monetária será dirigida por pressão política ou intimidação.”

Powell também disse que “O serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças”, e prometeu manter o cargo com integridade e compromisso com o povo americano.

Impactos econômicos e reações internacionais

A investigação e a briga entre Trump e Jerome Powell já têm efeitos nos mercados. A notícia levou a queda do dólar e o ouro atingiu recorde de 4.600,33 dólares por onça, o equivalente a 31,1 gramas.

Economistas e líderes empresariais alertam que pressão política sobre o banco central pode enfraquecer a confiança na dívida soberana dos EUA e na estabilidade de longo prazo da economia americana, aumentando a volatilidade global.

Um grupo de presidentes de bancos centrais mundialmente se manifestou em apoio a Powell, afirmando que a independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade, entre os signatários estão o brasileiro Gabriel Galípolo e Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu.

Com a especulação sobre o sucessor de Powell e a investigação em curso, a briga entre Trump e Jerome Powell fica no centro de um debate que combina política, economia e instituições, e que pode definir a confiança de mercados e investidores pelo mundo.