Briga entre Trump e Jerome Powell, origem e riscos, investigação do DOJ sobre a sede do Fed e como a disputa ameaça a independência do Banco Central
Como a investigação do Departamento de Justiça sobre a reforma da sede do Fed reacendeu a disputa entre Trump e Jerome Powell, e por que isso pode abalar decisões sobre taxas e a confiança internacional
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, confirmou que se tornou alvo de uma investigação do Departamento de Justiça, em meio a uma escalada de críticas do presidente Donald Trump à política de juros do Fed.
Powell afirmou que a apuração ligada ao seu depoimento sobre a reforma da sede do Fed é um pretexto, e alertou que a ação coloca em risco a independência do Banco Central dos EUA ao tentar influenciar decisões técnicas por pressão política.
Os fatos, incluindo a menção a um projeto de reforma de US$ 2,5 bilhões (R$ 15,6 bilhões) e a reação dos mercados, serão detalhados a seguir, conforme informação divulgada pelo g1.
Origem e escalada da disputa entre Trump e Jerome Powell
A tensão entre Trump e Jerome Powell vem de meses de críticas públicas do presidente sobre a política de juros. Trump pediu repetidamente cortes na taxa básica, acusando o Fed de prejudicar a economia quando as taxas permanecem altas.
No histórico, Trump chegou a chamar Powell de “estúpido” e orientar sondagens para substitutos do presidente do Fed, incluindo nomes como Scott Bessent, Kevin Hassett, Kevin Warsh, Christopher Waller e Rick Rieder, segundo reportagens citadas em apurações.
A especulação sobre sucessores e as tentativas de remover membros do conselho, como Lisa Cook, aumentaram a pressão institucional muito antes de a investigação criminal se tornar pública.
Por que Powell está sendo investigado, segundo as acusações
A investigação do DOJ tem origem no depoimento de Powell ao Comitê Bancário do Senado, quando ele minimizou custos ligados à reforma da sede do Fed e negou aquisições de luxo.
O projeto foi comparado por manchetes a palácios de luxo, e um mês após o depoimento a congressista Anna Paulina Luna encaminhou ao Departamento de Justiça uma acusação de perjúrio contra Powell.
O Fed afirmou que a reforma é autofinanciada, que não envolve dinheiro dos contribuintes e que visa modernização e redução de custos a longo prazo.
O argumento de Powell, reação de mercados e resposta de Trump
Powell descreveu a investigação como uma “ação sem precedentes” e disse que “esta nova ameaça não tem que ver com meu depoimento em junho passado ou com a reforma dos prédios do Federal Reserve, esses são pretextos”.
Ele acrescentou que a disputa é sobre saber se o Fed continuará a definir taxas com base em dados econômicos ou se será guiado por “pressão política ou intimidação”. Em suas palavras, “o serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças”.
Após a notícia da investigação, o dólar recuou e o ouro atingiu o recorde de 4.600,33 dólares por onça, indicando aversão a risco e preocupação com a estabilidade institucional.
Riscos para a independência do Fed e impactos internacionais
O Fed tem como missão conduzir a política monetária, controlar a inflação, apoiar o emprego e manter o sistema financeiro estável. Por isso, a independência do Banco Central é vista como essencial para decisões de juros que não sejam guiadas por ciclos eleitorais de curto prazo.
Como o dólar é moeda de reserva global, decisões do Fed afetam custos de empréstimo, fluxos de capital e crescimento mundial. A interferência política pode reduzir a confiança em títulos soberanos dos EUA e aumentar a volatilidade nos mercados.
Um grupo de presidentes de bancos centrais expressou apoio a Powell, destacando que a “independência dos bancos centrais é um pilar fundamental da estabilidade de preços, financeira e econômica”.
Enquanto Trump nega envolvimento direto na investigação e mantém críticas públicas às taxas, a disputa entre Trump e Jerome Powell segue como um ponto de tensão com potenciais efeitos duradouros na credibilidade do Fed e na confiança dos investidores.