A investigação sobre os mineradores sequestrados segue com operação inédita em Sinaloa, duas valas comuns em El Verde e um corpo com características de uma vítima
Uma operação de buscas em Sinaloa encontrou valas comuns e ao menos um corpo que pode ser de um dos mineradores sequestrados, aumentando a apreensão sobre o caso.
As vítimas trabalhavam em uma mina da empresa canadense Vizsla Silver, e o caso provocou uma grande mobilização de autoridades na região, que já foi palco de disputas entre facções criminosas.
As famílias e moradores locais relatam medo e abandono do vilarejo de Pánuco, enquanto as equipes seguem vasculhando áreas próximas à mina em busca de respostas.
conforme informação divulgada pelo g1
Operação e contexto da investigação
A Procuradoria-Geral mexicana informou que Dez trabalhadores de uma mineradora canadense foram sequestrados em janeiro, e que os operários foram retirados à força de um acampamento na área do projeto, segundo relatos de familiares.
Autoridades montaram uma mobilização de mais de mil agentes de segurança no noroeste do México, em uma operação descrita como a maior já realizada em Sinaloa para localizar pessoas desaparecidas.
O governo apontou disputa entre facções locais, citando Los Mayos e Los Chapitos, sendo esta última a que domina a região da mina, em uma área rica em prata, ouro, chumbo e zinco que atrai interesse criminoso.
Acharam valas e corpos em El Verde
Durante as buscas foram encontradas duas valas comuns no povoado de El Verde, de onde “foram retirados corpos e restos mortais”, conforme as informações divulgadas pelas autoridades.
Em uma das áreas inspecionadas, a Procuradoria informou que um dos corpos apresenta “características semelhantes” às de um dos trabalhadores raptados em 23 de janeiro, e que o corpo passa por identificação.
Equipes também localizaram dez acampamentos ligados ao crime organizado nas proximidades da mina, aumentando a complexidade das investigações.
Reações locais e citações
Moradores relatam temor de represálias e abandono do povoado de Pánuco, onde “Cerca de 200 moradores deixaram a localidade por medo da violência”.
Roque Vargas, morador de Chirimoyos, afirmou, “Tememos que o governo nos pressione para revelar o paradeiro dos mineradores. Não temos nenhuma relação com facções criminosas”.
Marisela Carrizales, integrante de um coletivo de busca, descreveu a cena nas exumações, “Os veículos saíram com corpos em decomposição, com um cheiro muito forte”.
Especialistas e pressão sobre as autoridades
Pesquisadores apontam que o padrão de violência mudou na região, com alvos maiores e mais visíveis. Como observa Roberto Carlos López, da Universidade Autônoma de Sinaloa, “Agora são trabalhadores e engenheiros de uma mineradora transnacional, o que aumenta a pressão sobre as autoridades”.
A presença de uma empresa estrangeira, e o sequestro de um grupo numeroso de funcionários, é considerado inédito na área, o que intensifica a cobertura e a expectativa por respostas das investigações.
As autoridades continuam as buscas por eventuais sobreviventes e por elementos que esclareçam a responsabilidade pelo sequestro e pelas valas encontradas, enquanto a identificação dos corpos avançará por exames forenses.