Operação com mais de mil agentes localizou duas valas comuns, dez acampamentos ligados ao crime e ao menos um corpo com ‘características semelhantes’ a uma vítima
As buscas por mineradores sequestrados na região de Pánuco, no estado de Sinaloa, no noroeste do México, revelaram valas e corpos próximos a uma mina de ouro e prata.
Dez trabalhadores da mineradora canadense Vizsla Silver foram retirados à força de um acampamento em 23 de janeiro, e a operação montada pelo governo é a maior já feita no estado para localizar desaparecidos.
As autoridades encontraram indícios preocupantes durante as buscas, e as investigações seguem em andamento, conforme informação divulgada pelo g1.
O que foi encontrado nas buscas
Equipes de segurança descobriram, nas imediações da mina, duas valas comuns no povoado de El Verde, de onde foram retirados corpos e restos mortais.
Durante a operação também foram localizados dez acampamentos vinculados ao crime organizado nas proximidades da mina, e veículos saíram do local transportando corpos em avançado estado de decomposição.
Marisela Carrizales, integrante de um coletivo de busca, relatou que, “Os veículos saíram com corpos em decomposição, com um cheiro muito forte”, descrição que ilustra o estado dos achados.
Contexto e quem está envolvido
A Procuradoria-Geral mexicana informou que um dos corpos apresenta “características semelhantes às de um dos trabalhadores raptados em 23 de janeiro”, e que o material passa por procedimentos de identificação.
O caso está ligado à escalada de violência causada por uma disputa interna do Cartel de Sinaloa, envolvendo facções como Los Mayos e Los Chapitos, sendo Los Chapitos a facção que domina a região da mina.
A riqueza mineral de Concordia, que inclui prata, ouro, chumbo e zinco, aumentou a presença de grupos criminosos interessados em sequestros e extorsões, segundo informações das autoridades.
Impacto local e relatos de moradores
A população local vive clima de medo, e povoados próximos foram quase esvaziados desde o sequestro: cerca de 200 moradores deixaram Pánuco por temerem a violência.
Roque Vargas, morador de Chirimoyos, afirmou, “Tememos que o governo nos pressione para revelar o paradeiro dos mineradores. Não temos nenhuma relação com facções criminosas”, evidenciando a pressão sobre comunidades rurais.
Especialistas atendidos no levantamento também destacam que, até então, os alvos eram garimpeiros artesanais, e que agora o sequestro de funcionários de uma mineradora transnacional muda a dinâmica da resposta estatal.
Pressão sobre autoridades e próximos passos
Pesquisador Roberto Carlos López, da Universidad Autónoma de Sinaloa, disse, “Agora são trabalhadores e engenheiros de uma mineradora transnacional, o que aumenta a pressão sobre as autoridades”, apontando a complexidade do caso.
As buscas continuam, e a identificação do corpo encontrado e a análise dos restos mortais avançam sob a coordenação das autoridades mexicanas, enquanto a operação, com mais de mil agentes, permanece ativa na região.
O caso é considerado inédito por envolver o sequestro de um grupo tão numeroso de funcionários de uma empresa estrangeira, e as investigações seguem para esclarecer responsabilidades e localizar os demais mineradores sequestrados.