quinta-feira, junho 4, 2026

Cachaça artesanal, do corte da cana ao barril: como alambiques de Vera Cruz e Ourinhos mantêm técnicas tradicionais, ganham prêmios e preservam qualidade

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Cachaça artesanal em alambiques do interior de São Paulo, com etapas bem definidas, controle de temperatura e escolhas de madeira que definem o sabor e a qualidade da bebida

A produção da cachaça artesanal começa no campo, com a colheita da cana, e exige atenção em cada etapa para garantir aroma, teor alcoólico e sabor consistentes.

No interior de São Paulo, mestres alambiqueiros cuidam de todo o processo, desde a lavagem e moagem da cana até a destilação e o envelhecimento em tonéis de madeira.

Ao conhecer esses alambiques, percebe-se que técnica, paciência e detalhes como tempo de fermentação e tipos de madeira fazem diferença no produto final.

conforme informação divulgada pelo g1

Do caldo ao mosto, ajuste do açúcar e fermentação

Os produtores explicam que a cana é lavada e moída para obter a garapa, o caldo da cana, e que é preciso ajustar o teor de açúcar para que o fermento funcione corretamente. Como diz Avelino dos Santos Modelli, proprietário de um alambique em Vera Cruz, “A garapa vem com o teor de açúcar um pouco mais alto. Aqui na sala de destilação, vamos abaixar o teor de açúcar para entre 14% e 16%, que é o ideal para o fermento trabalhar”.

Após a adição de água e de fermento, inicia-se a fermentação, que transforma o açúcar em álcool. A etapa de fermentação leva de 24 a 28 horas, dependendo da temperatura ambiente, tempo que exige paciência e controle do mestre alambiqueiro.

Destilação em cobre e separação em cabeça, coração e cauda

Depois da fermentação, o caldo, agora chamado mosto, é bombeado para o alambique de cobre. O aquecimento ocorre por cerca de duas horas, em temperatura entre 90°C e 95°C, até que o destilado passe pela serpentina de resfriamento.

A destilação é feita em três etapas, com a separação da cachaça de cabeça, da cachaça coração e da cachaça cauda, e apenas o corte do coração segue para o envelhecimento e comercialização como produto de qualidade.

Envelhecimento, madeiras e prêmios que atestam a tradição

Após a seleção do coração, a cachaça vai para tonéis de diferentes madeiras, entre as quais carvalho, amburana, jequitibá rosa e amendoim, além de blends. A escolha da madeira e o tempo no barril influenciam cor, aroma e textura da bebida.

No Sítio Engenho Velho, em Ourinhos, o produtor Álvaro Peixoto transformou um hobby em negócio premiado. A cachaça premium do sítio ganhou ouro no concurso Cachaça SP, do governo estadual, e uma cachaça envelhecida por 36 meses no carvalho conquistou prata em um concurso global no Chile, resultados que colocam o produto entre os reconhecidos nacional e internacionalmente.

Tradição, mercado e futuro da cachaça artesanal

Os alambiques do interior de São Paulo mostram que a cachaça artesanal soma tradição e técnica, e que pequenas alterações no processo impactam o resultado final. Produtores valorizam conhecimento, paciência e controle rigoroso para manter a qualidade.

Com prêmios e reconhecimento, esses alambiques seguem ampliando a presença da cachaça artesanal, ao mesmo tempo em que preservam métodos tradicionais, e mostram que investimento em técnica e em madeiras de qualidade pode transformar um produto regional em referência no mercado.

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