Caderneta de poupança com retirada de R$ 23,5 bilhões em janeiro, estoque cai para R$ 1 trilhão, e investidores migram por Selic a 15% e alternativas

Caderneta de poupança registrou saídas em volumes elevados, depósitos somaram R$ 331,23 bilhões e retiradas R$ 354,74 bilhões, movimento ligado a gastos sazonais e juros

O primeiro mês do ano apresentou forte saída de recursos das contas de poupança, pressionando o saldo total da aplicação e abrindo espaço para debate sobre atratividade dos investimentos tradicionais.

Os saques vêm em um período de despesas sazonais, como matrícula, material escolar, IPVA e IPTU, e também refletem comparação com alternativas que renderam mais em 2025.

Conforme informação divulgada pelo g1.

Volume de retiradas e números oficiais

As retiradas nas cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 23,5 bilhões em janeiro, informou nesta sexta-feira (6) o Banco Central (BC), de acordo com o relatório da autoridade monetária.

No mês passado, os depósitos somaram R$ 331,23 bilhões e as retiradas totalizaram R$ 354,74 bilhões, conforme os dados divulgados pelo Banco Central.

Por que houve retirada em janeiro

O padrão de saques elevados em janeiro é recorrente, registrado em anos anteriores, e coincide com gastos tradicionais de início de ano, como matrículas, material escolar e impostos como IPVA e IPTU em alguns municípios.

Além disso, parte dos recursos pode ter sido redirecionada para pagamentos de compras de final de ano parceladas e para viagens de férias, o que explica a pressão sobre a liquidez das famílias neste período.

Atratividade da poupança diante de juros e outras aplicações

Ao mesmo tempo, a poupança tem mostrado pouca competitividade frente a outras opções. Investimentos em renda fixa, como títulos públicos e aplicações atreladas ao CDI, têm apresentado desempenho superior.

Investimentos mais arriscados também se recuperaram em 2025, por exemplo, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo teve uma disparada de 34%, o maior avanço anual desde 2016.

Com as regras vigentes, a poupança tem rendimento limitado. Quando a taxa Selic ultrapassa o patamar de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial (TR, que é calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados).

Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, o que torna outras aplicações em renda fixa potencialmente mais atraentes para quem busca maior retorno.

Impacto no estoque e cenário das famílias

Com a saída de recursos da poupança no mês passado, o estoque dos valores depositados, ou seja, o volume total aplicado, registrou queda.

Em dezembro, estava em R$ 1,02 trilhão, recuando para R$ 1 trilhão no fim de janeiro, segundo o Banco Central, mostrando a redução no montante mantido na caderneta.

O cenário também é influenciado por fatores como inadimplência bancária em níveis recordes e endividamento das famílias ainda elevado, o que limita o fluxo de recursos disponíveis para investimentos.

Para quem mantém valores na caderneta de poupança, o momento pede atenção ao custo de oportunidade, e avaliar alternativas em renda fixa ou diversificar a carteira pode ser uma opção para buscar maior rendimento.