Caderneta de poupança perde R$ 23,5 bilhões em janeiro, estoque cai para R$ 1 trilhão, e poupança perde atratividade com Selic a 15% frente a renda fixa e Bolsa

Retirada expressiva em janeiro reflete saúde financeira das famílias, sazonalidade de gastos como matrícula e IPVA, e menor rendimento real da caderneta de poupança frente a outras aplicações

A saída líquida da poupança no primeiro mês do ano evidenciou duas forças conjuntas, consumo sazonal e opções de investimento mais atrativas.

Famílias costumam usar reservas da caderneta para pagar matrícula, material escolar e impostos, e naquele contexto a caderneta perde espaço para alternativas que rendem mais.

O movimento também coincide com sinais de endividamento e inadimplência elevados, e com juros básicos altos, o que altera o custo de oportunidade, conforme informação divulgada pelo g1.

Números divulgados pelo Banco Central

As retiradas nas cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 23,5 bilhões em janeiro, informou nesta sexta-feira (6) o Banco Central (BC).

Segundo os dados oficiais, os depósitos somaram R$ 331,23 bilhões;as retiradas totalizaram R$ 354,74 bilhões.

Queda no estoque total aplicado

Com a saída de recursos da poupança no mês passado, o estoque dos valores depositados, ou seja, o volume total aplicado, registrou queda.

Em dezembro, estava em R$ 1,02 trilhão, recuando para R$ 1 trilhão no fim de janeiro, segundo os números apresentados pelo BC.

Por que a retirada é recorrente em janeiro

A retirada de recursos da caderneta coincide com os tradicionais gastos de início de ano, como matrícula e material escolar, além de impostos como o IPVA, IPTU em alguns municípios, compras de Natal parceladas e viagens de férias.

Esse padrão se repetiu em 2023, 2024 e 2025, e mostra que parte do movimento é sazonal, embora fatores estruturais também influenciem a decisão dos poupadores.

Baixa atratividade da poupança frente a outras aplicações

A caderneta tem apresentado rendimento limitado em comparação com títulos públicos, papéis de empresas e aplicações atreladas ao CDI, e também com a recuperação da renda variável.

No ano passado, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo teve uma disparada de 34%, o maior avanço anual desde 2016, e investimentos em renda fixa também performaram melhor.

Além disso, o Banco Central aponta que a inadimplência bancária fechou o ano passado em nível recorde, e o endividamento das famílias segue elevado, fatores que pressionam a retirada de recursos.

Com as regras vigentes, a poupança tem rendimento limitado, Quando a taxa Selic ultrapassa o patamar de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial (TR, que é calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados). A Selic está atualmente em 15% ao ano.

Diante desse cenário, parte dos poupadores opta por aplicações que ofereçam maior rendimento real, enquanto outros recorrem à poupança para atender despesas imediatas, mantendo a caderneta em papel central nas decisões de curto prazo.