Calote de R$ 3,6 bilhões no atacado faz inadimplência do Banco do Brasil subir a 5,17%, pressiona lucro e altera previsões para 2026

Calote de empresa do atacado faz inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil subir para 5,17%, sem o efeito seria 4,88%, segundo balanço

Um caso isolado envolvendo uma companhia do segmento atacado resultou em um calote de R$ 3,6 bilhões, que afetou diretamente os indicadores de risco do Banco do Brasil no quarto trimestre de 2025.

O impacto levou o índice de inadimplência acima de 90 dias a subir para 5,17%, acima dos 4,51% registrados no trimestre anterior e dos 3,16% de um ano antes.

Sem o efeito desse calote, a taxa seria de 4,88%, informa o banco, que não identificou a empresa envolvida, conforme informação divulgada pelo g1.

O caso, o valor e o efeito imediato

O Banco do Brasil detalhou que o movimento que elevou a inadimplência está ligado a sua carteira de Títulos e Valores Mobiliários, e que uma única empresa do atacado deixou de honrar operações que somam R$ 3,6 bilhões.

Por conta desse episódio, o índice de inadimplência acima de 90 dias ficou em 5,17% no quarto trimestre de 2025, enquanto o banco calcula que, desconsiderando o calote, a taxa seria de 4,88%, mostrando a magnitude do impacto concentrado.

Resultados financeiros e comparação com o ano anterior

Em 2025, o Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, dentro da faixa projetada pela própria instituição, mas representando uma queda de 45,4% em relação a 2024.

No quarto trimestre, o BB anotou lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, queda de 40,1% sobre o mesmo período de 2024, porém com avanço de 51,7% ante o terceiro trimestre e acima das projeções compiladas, lembrando que projeções compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$ 4,5 bilhões.

Projeções para 2026 e medidas de gestão de risco

Para 2026, o banco projeta lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, e espera expansão da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, com destaque para pessoa física, projetada entre 6% e 10%.

A presidente-executiva, Tarciana Medeiros, afirmou, em nota, que “Nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão” e que o banco segue “otimista com 2026, atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada“, com foco em mitigação de riscos, garantias e novos produtos para o agro.

Carteira de crédito, custos e outros indicadores

No final de dezembro, a carteira de crédito expandida do BB somava quase R$ 1,3 trilhão, alta de 1,4% no trimestre e de 2,5% na comparação anual.

O custo do crédito ficou próximo de R$ 18 bilhões, praticamente estável no trimestre, porém 93,9% acima do mesmo período de 2024. A inadimplência na pessoa física alcançou 6,56%, e entre pessoas jurídicas chegou a 3,75%.

A carteira de agronegócio, que também vinha pressionando resultados, encerrou o quarto trimestre com inadimplência acima de 90 dias em 6,09%, ante 4,84% no trimestre anterior e 2,23% um ano antes.

O banco também anunciou a distribuição de R$ 1,2 bilhão aos acionistas, sob a forma de juros sobre capital próprio complementar, e afirmou que seguirá adotando medidas para fortalecer garantias e a resiliência da carteira.