Calote de R$ 3,6 bilhões no Banco do Brasil eleva inadimplência a 5,17%, reduz lucro em 45,4% e altera projeções para 2026, entenda o impacto
Impacto do calote de R$ 3,6 bilhões no Banco do Brasil sobre inadimplência, lucro e projeções para crédito e agronegócio em 2026
O Banco do Brasil registrou, no quarto trimestre de 2025, um calote de R$ 3,6 bilhões por uma única empresa do segmento atacado, que pesou sobre a saúde da carteira de crédito.
O episódio levou o índice de inadimplência acima de 90 dias a subir, e afetou o resultado anual e as estimativas para 2026.
Nos parágrafos a seguir, explicamos os números, as projeções do banco e os riscos mais imediatos para a carteira, incluindo o agronegócio.
conforme informação divulgada pelo g1
O calote e a elevação da inadimplência
O banco informou que o caso está ligado a operações em Títulos e Valores Mobiliários, associadas a uma empresa do atacado, sem identificar o devedor. Com o efeito do calote, o índice de inadimplência acima de 90 dias subiu para 5,17% no quarto trimestre de 2025.
Sem o impacto desse único evento, a taxa teria ficado em 4,88%, segundo o banco, frente a 4,51% no terceiro trimestre e 3,16% um ano antes, o que mostra a intensidade do choque específico na carteira.
Resultados financeiros em 2025 e efeitos do calote
O Banco do Brasil registrou lucro líquido de R$ 20,7 bilhões em 2025, uma queda de 45,4% em relação a 2024. No quarto trimestre, o lucro líquido ajustado foi de R$ 5,7 bilhões, queda de 40,1% na comparação anual, mas avanço de 51,7% ante o terceiro trimestre.
Projeções compiladas pela LSEG apontavam lucro de R$ 4,5 bilhões para o quarto trimestre, e o banco disse que o resultado ficou dentro da faixa atualizada para o ano.
Ao comentar os números, a presidente-executiva Tarciana Medeiros disse, em nota, "Nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão", e "Estamos otimistas com 2026, atuando sempre com cautela, estratégia clara e execução disciplinada. Seguimos com foco contínuo em mitigação de riscos e rentabilidade: fortalecimento de garantias, matriz de resiliência e novos produtos para sustentar a parceria histórica com o agro".
Carteira de crédito, custo e segmentos mais afetados
No final de dezembro, a carteira de crédito expandida somava quase R$ 1,3 trilhão, alta de 1,4% no trimestre e de 2,5% na comparação anual. O custo do crédito no trimestre ficou próximo de R$ 18 bilhões, praticamente estável frente ao trimestre anterior, mas 93,9% acima do mesmo período de 2024.
Na pessoa física a carteira cresceu, com inadimplência em 6,56% no trimestre, ante 6,01% no período anterior e 4,66% um ano antes. Entre pessoas jurídicas a inadimplência alcançou 3,75%, contra 3,40% no trimestre anterior e 3,30% no quarto trimestre de 2024.
A carteira do agronegócio, que vinha pressionando resultados, encerrou o quarto trimestre com alta de 1,8% no trimestre e de 2,1% na comparação anual, e a inadimplência acima de 90 dias subiu para 6,09%, ante 4,84% três meses antes e 2,23% um ano antes.
Projeções para 2026 e atenção a riscos
Para 2026, o Banco do Brasil projetou lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões, expansão da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%, e estimativas específicas para pessoa física, empresas e agronegócio.
O banco estimou ainda custo do crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões para 2026, crescimento das receitas de prestação de serviços entre 2% e 6%, e aumento das despesas administrativas entre 5% e 9%.
O Banco do Brasil destacou medidas de mitigação, como fortalecimento de garantias e revisão de matriz de risco, mas o calote de R$ 3,6 bilhões mostra que eventos pontuais em carteiras concentradas podem ter impacto relevante nos indicadores e nas projeções.
Indicadores de capital, remuneração e comparação com o mercado
O retorno sobre patrimônio líquido voltou a dois dígitos no quarto trimestre, em 12,4%, acima dos 8,4% do trimestre anterior, mas abaixo dos níveis de 2024. A margem financeira bruta atingiu R$ 27,8 bilhões, alta de 3,8% na comparação anual.
Os índices de capital também subiram, com nível 1 passando de 12,66% para 14,26%, capital principal de 10,89% para 12,23%, e índice de Basileia em 15,13%. O banco anunciou distribuição de R$ 1,2 bilhão aos acionistas sob a forma de juros sobre capital próprio complementar.
Em comparação com concorrentes, o retorno do BB ficou abaixo de Itaú Unibanco, Santander Brasil e Bradesco no período, o que reforça a atenção de analistas ao ritmo de recuperação e ao controle de riscos.
Em síntese, o calote de R$ 3,6 bilhões no Banco do Brasil elevou a inadimplência e adicionou volatilidade aos resultados de 2025, e mesmo com projeções otimistas para 2026 a instituição reforça medidas de mitigação, em especial para o agronegócio, para recuperar a normalidade da carteira.