Capag do DF cai para C, União não será avalista em empréstimo para recompor capital do BRB, governo estuda usar imóveis como garantia e enfrenta investigação
Sem a garantia da União, o Distrito Federal terá juros maiores e condições piores para captar recursos, e o BRB precisa apresentar medidas concretas para recompor o capital até 31 de março
A queda da avaliação fiscal do Distrito Federal reduz a capacidade do governo local de obter empréstimos em condições favoráveis e aumenta o custo do crédito, o que complica a tentativa de reforçar o patrimônio do BRB.
Controlador do banco, o GDF busca alternativas como usar imóveis públicos para garantir operações, ao mesmo tempo em que o caso envolvendo operações com o Banco Master põe pressão sobre as finanças da instituição.
Conforme informação divulgada pelo g1
O que mudou na avaliação fiscal
A avaliação da Capacidade de Pagamento (Capag) do Distrito Federal caiu de B para C em 2025, e essa alteração tem efeito direto sobre a possibilidade de a União atuar como avalista em novos empréstimos.
A União só entra como avalista em empréstimos de Estados e municípios que tenham nota alta (A ou B), e com a nota C o DF perdeu essa garantia.
O relatório do Tesouro Nacional aponta que o principal fator para a baixa foi a poupança corrente, com um indicador que mostra restrição para financiar investimentos e pagar novas dívidas.
Por que a nota caiu e os números que pesaram
O Capag considera endividamento, poupança e liquidez, e a combinação desses três indicadores definem o risco de calote de cada ente.
Segundo o sistema do Tesouro, 95,27% do que o DF arrecada é destinado para as despesas correntes, um dado que mostrou pouco espaço no caixa para novos compromissos e que foi determinante para a nota C.
Apesar de ter recebido nota A em endividamento e B em liquidez relativa, a baixa na poupança corrente foi suficiente para derrubar a avaliação geral.
Consequências para um empréstimo e para o BRB
Sem a garantia da União, o Distrito Federal enfrentará juros mais altos e condições menos favoráveis em qualquer operação de crédito, e o risco financeiro recairá mais diretamente sobre os cofres locais e sobre o BRB.
O governo do DF detém 71,92% do capital do BRB, então cabe ao Executivo local recompor o capital do banco e assegurar o cumprimento das regras do sistema financeiro.
O BRB tem até o dia 31 de março para divulgar o balanço do segundo semestre de 2025, e o mercado espera que o documento venha acompanhado de soluções concretas para recompor o patrimônio.
Medidas em debate e investigação em curso
Uma proposta em análise na Câmara Legislativa prevê oferecer nove imóveis públicos de grande porte para servir como garantia ou serem vendidos, em uma operação que poderia chegar a R$ 6,6 bilhões.
Essa alternativa enfrenta resistência política, e há ainda investigações sobre operações com o Banco Master, que comprometeram a qualidade do ativo incorporado pelo BRB.
Tribunal de Contas tem 9 processos para apurar o tamanho do rombo no BRB, e o cenário aumenta a pressão por transparência e por um plano de capitalização claro, para evitar abalos à credibilidade da instituição.
O que vem a seguir
Sem o aval federal, o DF pode buscar financiamento junto ao Fundo Garantidor de Crédito ou tentar operações garantidas por ativos, mas qualquer solução terá custos mais altos.
Também pesa o dado de que, só em 2025, o governo federal pagou R$ 11,1 bilhões em dívidas atrasadas de estados e municípios, o que ilustra o papel direto da União em operações de socorro financeiro quando há aval, e porque a ausência dessa garantia muda a equação para o Distrito Federal.
O acompanhamento das investigações e a apresentação do balanço e do plano do BRB serão decisivos para avaliar a necessidade e o formato dos aportes, e também para a definição de medidas que minimizem o impacto fiscal sobre a população do DF.