Carne bovina: cota de exportação para a China pode se esgotar em setembro, Cepea projeta volume recorde e governo avalia controle de embarques
Com recorde em janeiro, projeção do Cepea indica que o limite anual de 1,106 milhão de toneladas imposto pela China pode ser atingido já em setembro, e o governo estuda mecanismos para controlar embarques
O mercado de carne bovina brasileira vive um momento de forte demanda externa, com fluxo de embarques que pode antecipar o fim da cota anual destinada à China.
Se o ritmo verificado em janeiro se mantiver, frigoríficos podem competir por espaço no mercado chinês, pressionando preços e logística.
Conforme informação divulgada pelo g1.
Por que a cota pode acabar em setembro
Pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, Cepea-Esalq da USP, apontam que “Se o ritmo de embarques verificado em janeiro para a China for mantido, o Brasil deve completar sua cota de volume de exportações de carne bovina em setembro”.
O motivo é o embarque recorde observado em janeiro de 2026, quando o Brasil enviou ao exterior 258,94 mil toneladas de carne bovina, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, compilados pelo Centro de Estudos da Esalq-USP.
Dessas, 119,63 mil toneladas foram destinadas à China em janeiro, e este foi “o maior volume escoado à China para um mês de janeiro”, lembra o Cepea, o que explica a previsão de esgotamento da cota anual.
Como funciona a cota e quais são os custos adicionais
A China estabeleceu para 2026 uma cota para o Brasil de 1,106 milhão de toneladas, quantidade que permite pagar a alíquota anterior de 12% por importação.
O que exceder esse limite ficará sujeito a uma taxa extra de 55%, o que altera significativamente a competitividade da carne brasileira no mercado chinês.
Analistas destacam que, mesmo com a sobretaxa, a demanda externa pela carne brasileira pode continuar em alta, mas com efeitos heterogêneos entre frigoríficos.
Impacto nos preços e sinalização do mercado interno
O mercado doméstico já reage, com cotações do boi gordo e da carne em trajetória de alta, segundo levantamentos do Cepea.
O boletim do Cepea registra que “o indicador Cepea/Esalq-USP do boi gordo, arroba de 15kg fechou em R$ 337,20 em 9 de fevereiro de 2026. Quatro dias depois, passou para 344,05”, uma alta superior a 2% em curto período.
Esse movimento reflete demanda externa robusta e pressão sobre oferta, fatores que podem influenciar preços no atacado e na gôndola caso a exportação siga elevada até setembro.
Medidas em discussão pelo governo e estratégias do setor
O Ministério da Agricultura, segundo o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério, Luis Rua, estuda a criação de um sistema para controlar o volume que frigoríficos brasileiros podem exportar para a China.
O objetivo é evitar uma “corrida desenfreada” entre empresas, expressão usada pelo próprio ministério para descrever o risco de competição desigual por embarques antes de o ano acabar.
Especialistas do setor recomendam que indústrias e governo adotem regras claras, transparência nos volumes e estratégias comerciais que preservem participação no mercado chinês sem causar ruptura nos preços domésticos.
Em resumo, a combinação de um janeiro recorde de embarques, a cota de 1,106 milhão de toneladas e a sobretaxa de 55% para volumes excedentes colocam o Brasil em um cenário que exige decisões rápidas, coordenação entre governo e setor, e planejamento para manter a força da exportação de carne bovina sem desorganizar o mercado interno.