Carne bovina: cota de exportação para China pode se esgotar em setembro, entenda como frigoríficos, preços e governo podem reagir diante do limite imposto
Projeção do Cepea aponta fim da cota anual em setembro, com alto volume em janeiro e risco de taxa extra de 55% sobre excedentes, veja números e medidas previstas
A exportação brasileira de carne bovina segue em forte ritmo, com recorde de embarques em janeiro, e analistas alertam para efeitos da cota chinesa ao longo do ano.
Se o padrão de envio observado no primeiro mês de 2026 persistir, a disponibilidade de volume sem sobretaxa pode acabar antes do fim do ano, pressionando frigoríficos e mercado interno.
Conforme informação divulgada pelo g1
Por que a cota altera a dinâmica de vendas
O ponto central é que a China estabeleceu um limite de 1,106 milhão de toneladas para 2026, e o que exceder esse volume terá uma tarifa adicional de 55%, segundo levantamento do Cepea-Esalq da USP.
Com essa regra, empresas chinesas pagam a mesma alíquota anterior, de 12%, até o teto definido, e enfrentam custo bem maior se comprarem além do limite, o que muda a equação de preços e contratos.
Números de janeiro e a previsão de setembro
Em janeiro, o Brasil exportou 258,94 mil toneladas de carne bovina, sendo que 119,63 mil toneladas foram enviadas à China, o maior volume para um mês de janeiro, conforme dados da Secex compilados pelo Centro de Estudos da Esalq-USP.
Os pesquisadores do Cepea alertam que, “Se o ritmo de embarques verificado em janeiro para a China for mantido, o Brasil deve completar sua cota de volume de exportações de carne bovina em setembro”.
A China representou 46,3% do total escoado pelo Brasil em janeiro, porcentagem próxima da média de 2025, de 47,67%, o que mostra a dependência do mercado brasileiro em relação ao principal destino.
Impacto nos preços e reação do mercado
Apesar das restrições, o mercado pecuário tem mostrado sinais de otimismo, com alta nas cotações, e o Cepea registra variação nos preços do boi gordo e de bovinos de corte.
O indicador Cepea/Esalq-USP do boi gordo, arroba de 15kg, fechou em R$ 337,20 em 9 de fevereiro de 2026, e quatro dias depois passou para 344,05, uma alta de mais de 2%, segundo boletim do Cepea.
Esses movimentos refletem expectativas de oferta, demanda externa e possíveis ajustes caso a cota seja atingida antes do previsto.
Medidas do governo e possíveis cenários para frigoríficos
Para evitar uma “corrida desenfreada” entre empresas na tentativa de aproveitar a cota, o Ministério da Agricultura discute a criação de um sistema de controle sobre o volume que cada frigorífico poderá exportar à China.
A informação foi confirmada por Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério, em entrevista ao g1, e busca reduzir competição desigual entre unidades e possíveis desequilíbrios no mercado interno.
Se o governo implantar controles, frigoríficos terão que planejar embarques com mais coordenação, o que pode suavizar flutuações bruscas, mas também exigir regras e fiscalização mais rígidas.
Ao mesmo tempo, negociações diplomáticas correm para tentar mitigar as proteções chinesas e preservar o acesso ao maior comprador, mantendo fluxo de receitas e posições de mercado.
Em resumo, a projeção de esgotamento da cota em setembro acende um alerta para produtores, frigoríficos e autoridades, e cada ator precisará agir de forma estratégica para reduzir impactos, ajustar preços e proteger a competitividade das exportações de carne bovina.