quinta-feira, junho 4, 2026

Carro elétrico chinês montado no Brasil volta a ser tributado, alíquota deve chegar a 35% em 2027, entenda efeitos para BYD e montadoras

Share

Portaria temporária de seis meses perdeu vigência, e a modalidade de veículos semimontados volta a integrar a escala tarifária que prevê subida progressiva até janeiro de 2027

O período de isenção do imposto de importação para veículos elétricos desmontados expirou em 31 de janeiro, e a circulação dessa modalidade volta ao cronograma de elevação tarifária definido pelo governo.

Com isso, a expectativa é que a alíquota chegue a 35% a partir de janeiro de 2027, conforme disposição que abrange veículos parcialmente montados, SKD, e completamente desmontados, CKD.

Todas as informações sobre o fim da isenção e o retorno ao cronograma foram divulgadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1.

O que mudou com o fim da isenção

Em 1º de agosto de 2025, a Secretaria do Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, publicou uma portaria que concedeu isenção temporária por seis meses para importação de SKD e CKD, a pedido da BYD.

Com o encerramento desse prazo, a importação dessas modalidades volta a ser tributada, integrando a programação para carros elétricos, híbridos e importados, com a alíquota escalonada até alcançar 35% em janeiro de 2027, conforme informação divulgada pelo g1.

Reação das montadoras e resposta da BYD

A decisão de conceder a isenção em agosto de 2025 gerou forte reação das montadoras em atividade no Brasil.

Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota enviaram uma carta conjunta ao presidente, alertando para riscos ao setor e dizendo, na íntegra, “Por uma questão de isonomia e busca de competitividade, essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra”.

Na mesma carta, as empresas afirmaram, também na íntegra, “Seria uma forte involução, que em nada contribuiria para o nível tecnológico de nossa indústria, para a inovação ou para a engenharia nacional. Representaria, na verdade, um legado de desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica.”

A BYD respondeu às críticas com outra carta, afirmando que a chegada da montadora provocou reação das empresas tradicionais e acusando-as de querer preservar posição dominante.

Em trechos publicados, a BYD disse, na íntegra, “A reação da Anfavea [associação dos fabricantes] e seus associados, infelizmente, não é novidade. Trata-se do velho roteiro de sempre: diante de qualquer sinal de abertura de mercado ou inovação, surgem as ameaças de demissões em massa, fechamento de fábricas e o fim do mundo como conhecemos”, e acrescentou, “É uma espécie de chantagem emocional com verniz corporativo, repetida há décadas pelos barões da indústria para proteger um modelo de negócio que deixou o consumidor brasileiro como último da fila da modernidade.”

Números do mercado e impacto da BYD

A entrada massiva de importados preocupa a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, que pede previsibilidade regulatória e regras sem assimetrias que penalizem quem produz no país.

Entre janeiro e dezembro de 2025, o emplacamento de novos carros importados foi de 497.765 unidades, um aumento de 6,7% em relação a 2024, quando foram registrados 466.505 novos carros, conforme informação divulgada pelo g1.

A BYD é apontada como principal responsável por esse crescimento. Em 2024, o Brasil já era o maior mercado internacional da montadora, absorvendo quase 20% de suas exportações globais, segundo dados citados pela reportagem.

O que vem pela frente até 2027

Com o retorno da tributação, empresas que iniciam operação no Brasil via SKD podem enfrentar custos maiores, e a discussão seguirá entre governos, indústria e investidores.

O cronograma que leva a 35% em 2027 deve elevar preços de importados e pressionar estratégias das montadoras, seja para aumentar conteúdo local, seja para rever modelos de produção e logística.

A disputa expõe um conflito entre proteção da indústria nacional, demandas por inovação e a competição com fabricantes internacionais, temas que devem dominar debates até a vigência plena das novas alíquotas.

Leia Mais

Fique por dentro