Carro elétrico chinês montado no Brasil volta a ser tributado, isenção temporária termina e alíquota sobe para 35% em 2027, entenda o impacto

Medida da Secex publicada em 1º de agosto de 2025 com vigência de seis meses expirou em 31 de janeiro, e os SKD e CKD voltam ao cronograma tarifário até 2027

O prazo para a isenção temporária que beneficiou carros elétricos desmontados chegou ao fim em 31 de janeiro deste ano, e a modalidade volta a ser tributada, com a expectativa de atingir 35% em janeiro de 2027. Em seguida explicamos como a medida foi tomada, a reação das montadoras e os números que ajudam a entender o impacto no mercado brasileiro.

O regime especial havia sido adotado após pedido da chinesa BYD para reduzir o imposto de importação sobre veículos trazidos desmontados para montagem no país, e vigorou por seis meses.

conforme informação divulgada pelo g1.

Como funcionou a isenção temporária

A medida foi publicada pela Secretaria do Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), em 1º de agosto de 2025, com vigência de seis meses, e abrangia tanto veículos parcialmente montados (SKD) quanto os completamente desmontados (CKD).

O benefício havia sido uma resposta ao pedido da BYD para reduzir o imposto sobre modelos semimontados e desmontados importados, permitindo montagem local com menor custo inicial. Com o fim da vigência, os veículos nessa modalidade retornam ao cronograma de aumento tarifário.

Retorno da tributação e cronograma

Com isso, a modalidade volta a fazer parte do cronograma de elevação tarifária para carros elétricos híbridos e importados e deve atingir a alíquota de 35% a partir de janeiro de 2027.

O retorno da cobrança implica aumento de custos para modelos que vinham sendo montados no Brasil em regime SKD ou CKD, e deve influenciar preços, estratégias de investimento e prazos de montagem de fábricas locais.

Reação das montadoras e resposta da BYD

Na ocasião da publicação da portaria, quatro das principais montadoras em atividade no Brasil se uniram para reclamar da isenção. Volkswagen, Stellantis, GM e Toyota assinaram uma carta conjunta, endereçada ao presidente, com o argumento de que a medida prejudicaria a indústria nacional.

As montadoras disseram, textualmente, “Por uma questão de isonomia e busca de competitividade, essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra”.

Na mesma carta, alertaram que “Seria uma forte involução, que em nada contribuiria para o nível tecnológico de nossa indústria, para a inovação ou para a engenharia nacional. Representaria, na verdade, um legado de desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica.”

A BYD, por sua vez, respondeu afirmando que a reação das concorrentes refletia medo de perder participação. A empresa escreveu que “A reação da Anfavea [associação dos fabricantes] e seus associados, infelizmente, não é novidade. Trata-se do velho roteiro de sempre: diante de qualquer sinal de abertura de mercado ou inovação, surgem as ameaças de demissões em massa, fechamento de fábricas e o fim do mundo como conhecemos”.

Em outra passagem, a BYD disse que “É uma espécie de chantagem emocional com verniz corporativo, repetida há décadas pelos barões da indústria para proteger um modelo de negócio que deixou o consumidor brasileiro como último da fila da modernidade.”

Números e tendência no mercado

Os dados mais recentes mostram crescimento da presença de importados no país, amplificando o debate sobre regras e competitividade. “Entre janeiro e dezembro de 2025, o emplacamento de novos carros importados ficou em 497.765 unidades, um aumento de 6,7% em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando foram registrados 466.505 novos carros.”

Além disso, “Em 2024, o país já era o maior mercado internacional da montadora, absorvendo quase 20% de suas exportações globais.” Esses números colocam a entrada maciça de modelos chineses no centro das discussões sobre balanço comercial, emprego e cadeia de fornecedores no Brasil.

Com a volta da tributação para SKD e CKD, fabricantes e importadores terão que revisar estratégias de preço e investimento, enquanto as montadoras instaladas no país monitoram possíveis efeitos sobre a produção nacional de autopeças e empregos.

Fonte, dados e citações conforme informação divulgada pelo g1.