quinta-feira, junho 4, 2026

Carro Sustentável: IPI zero impulsiona vendas em 15,6%, diz Anfavea, veja como redução de até R$ 13 mil e regras de eficiência mudaram o mercado de compactos

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Impacto do programa Carro Sustentável nas vendas de 11 de julho a 31 de dezembro de 2025, com queda de preços, critérios de emissões e aceleração dos emplacamentos no varejo

O programa Carro Sustentável entrou em vigor por decreto assinado em 10 de julho de 2025, e trouxe mudanças imediatas nos preços e no ritmo de vendas de veículos compactos no Brasil.

Com a medida, o governo zera a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI, para modelos que cumpram requisitos de eficiência e de reciclabilidade, e com preço de até R$ 140 mil.

O resultado prático foi um crescimento nas vendas de automóveis de 15,6% entre 11 de julho e 31 de dezembro de 2025, quando comparado ao mesmo período do ano anterior, conforme informação divulgada pelo g1.

Como funciona o programa e quais são os critérios

Para ter direito ao IPI zero, o carro deve emitir menos de 83g de CO₂ por quilômetro, conter mais de 80% de materiais recicláveis e ser fabricado no Brasil, incluindo etapas como soldagem, pintura, fabricação do motor e montagem.

A nova tabela parte de uma alíquota base de 6,3% para veículos de passageiros e de 3,9% para comerciais leves, ajustada por um sistema de acréscimos e decréscimos que considera eficiência energética, tecnologia de propulsão, potência, nível de segurança e índice de reciclabilidade.

Segundo o governo, o decreto não terá impacto fiscal, e a regra prevê que veículos com melhores indicadores receberão descontos nos impostos, enquanto os com piores avaliações sofrerão um acréscimo.

Efeito nos preços e variação nas vendas

Com a redução do IPI, modelos passaram a apresentar recuos de preço, em alguns casos de até R$ 13 mil a menos, o que estimulou a procura nas concessionárias e acelerou os emplacamentos.

Dados da Anfavea mostram que o programa contribuiu para um crescimento de 15,6% nas vendas entre 11 de julho e 31 de dezembro de 2025, em comparação ao mesmo período de 2024, considerando os modelos homologados no programa.

Os dados mensais apontam comportamento em geral positivo, com exceção de novembro, confira os números divulgados pela entidade, exatamente como reportados:

Entre 11 e 31 de julho: 30 mil unidades emplacadas (31,8% acima de 2024), Agosto: 40 mil unidades emplacadas (22,1% acima de 2024), Setembro: 39 mil unidades emplacadas (20,5% acima de 2024), Outubro: 45 mil unidades emplacadas (12,7% acima de 2024), Novembro: 47 mil unidades emplacadas (1,8% abaixo de 2024).

Varejo, venda direta e quem mais se beneficiou

O maior avanço ocorreu no varejo, que envolve compras feitas em concessionárias, com emplacamentos passando de 30,9 mil em 2024 para 46,8 mil unidades no período entre 11 de julho e 30 de novembro, um crescimento de 51,6%.

Na venda direta, modalidade em que a montadora entrega o veículo sem intermediário, o avanço foi mais moderado, com emplacamentos subindo de 145,1 mil para 154,7 mil unidades, resultando em um aumento de 6,6% no período.

Esse canal atende locadoras, frotistas, taxistas, autoescolas, motoristas de transporte escolar e compradores com direito ao desconto para pessoas com deficiência, PcD.

Modelos habilitados e perspectivas do setor

A lista de veículos habilitados inclui, entre outros, Renault Kwid, Fiat Mobi, Fiat Argo, Hyundai HB20, Hyundai HB20S, Volkswagen Polo, Volkswagen Saveiro, Volkswagen T-Cross, Volkswagen Nivus, Chevrolet Onix e Chevrolet Onix Plus.

Analistas e representantes do setor avaliam que o início do programa tende a apresentar uma subida mais acentuada, seguida por uma estabilização em platô, conforme explicou Igor Calvet, presidente da Anfavea, ao comentar o desempenho.

Na avaliação de Igor Calvet, “O Carro Sustentável, no acumulado, ainda continua subindo. Sobretudo no varejo, o que acho ótimo para o nosso mercado. O programa continua sendo um sucesso. Óbvio que o programa tem uma subida mais acentuada no início e depois uma estabilidade, um platô, que é natural desse tipo de programa,” disse Igor Calvet, presidente da Anfavea.

O governo estima uma redução das alíquotas para 60% dos veículos comercializados no Brasil, considerando o número de carros vendidos em 2024, o que pode ampliar o alcance do benefício e pressionar preços e mix de vendas nos próximos meses.

Seguem pendentes para o mercado e para os consumidores questões de manutenção da competitividade, impacto sobre margens das montadoras e eventual ajuste do rol de modelos elegíveis, temas que o setor acompanhará de perto.

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