quinta-feira, junho 4, 2026

Casal 2depais relata como descobriu rombo de R$ 500 mil em acordo com agência Hello Group, acusações de calote e orientações para evitar fraudes contratuais

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Rombo de R$ 500 mil, isolamento imposto pela agência e falta de prestação de contas levaram casal à Justiça, evidenciando riscos em contratos de representação digital

Dois influenciadores que comandam o perfil 2depais descobriram um **rombo de R$ 500 mil** ao cruzar comprovantes enviados por marcas com as informações repassadas pela agência que os representava.

O contrato dava à agência controle total sobre negociações e repasses, enquanto os criadores eram orientados a evitar contato direto com as marcas, segundo relato do casal.

A investigação do caso, e os documentos reunidos pelos influenciadores, foram apresentados ao Ministério Público, conforme informação divulgada pelo g1.

Como funcionava o acordo com a agência

O contrato assinado em 2021 previa exclusividade da agência Hello Group para fechar campanhas, assinar contratos, emitir notas fiscais, receber pagamentos e repassar ao casal com desconto de 30% de comissão.

Seguindo o combinado, 70% do valor das campanhas deveriam ir para os influenciadores, enquanto 30% ficavam com a agência, dados que constam nos relatos recolhidos pela reportagem.

Nos primeiros meses a parceria parecia dar certo, mas com o tempo surgiram atrasos recorrentes e falta de acesso a contratos e comprovantes, segundo o casal.

Como veio a descoberta do rombo

Os influenciadores contaram que foram orientados a não falar com marcas nem com colegas, com advertências que, segundo eles, vinham como proteção de imagem.

Eles relatam que era dito, textualmente, “Era sempre assim: ‘nunca conte qual é o seu trabalho, quanto você está ganhando, nunca fale com as pessoas, porque isso vai te derrubar’”.

Ao decidir checar por conta própria, o casal entrou em contato direto com patrocinadoras e constatou que pagamentos tinham sido efetuados meses antes do que a agência afirmava.

Em uma das mensagens recebidas, viram o comprovante de que a campanha havia sido paga cinco ou seis meses antes, e, nesse momento, segundo eles, “a ficha caiu”.

Consequências e andamento judicial

Com a documentação em mãos, procuraram um advogado e levaram o caso ao Ministério Público, que avaliou possibilidade de apropriação indébita majorada.

Os influenciadores afirmam que o suposto rombo ultrapassa os **R$ 500 mil**, e que a situação gerou prejuízos fiscais, como parcelamento de mais de R$ 40 mil em impostos.

Em decisão do juiz Caio Hunnicutt Fleury Moraes, não houve bloqueio de bens nem depósito judicial por falta de provas suficientes, mas foi determinado que uma patrocinadora, com contrato de R$ 42 mil com a agência, pague a parte dos influenciadores diretamente a eles.

O casal também relata impactos pessoais, incluindo problemas de saúde ligados ao estresse e sensação de insegurança, e diz que outros criadores relataram problemas parecidos com a mesma agência.

Como evitar problemas semelhantes, segundo especialistas

Para a advogada Mayra Mega Itaborahy, especialista em direito digital, cláusulas de **transparência financeira** são essenciais em contratos entre influenciadores e agências.

Ela recomenda limitar o poder da agência, exigir autorização prévia e por escrito para acordos, e garantir acesso a todos os contratos firmados em nome do criador, com valores, prazos e obrigações claramente descritos.

Itaborahy alerta que atraso no repasse caracteriza inadimplência e pode gerar juros, multa e, em casos extremos, configuração do crime de apropriação indébita, previsto no artigo 168 do Código Penal.

Modelos mais seguros incluem repasses diretos ao influenciador, pagamentos separados, ou uso de contas de garantia, e a exigência de relatórios e comprovantes sempre que solicitados.

Recomendações práticas, segundo especialistas, incluem:

• limitar cláusulas de exclusividade excessiva,

• incluir prazos e multas claras para repasses,

• exigir prestação de contas formal e acesso a comprovantes,

• manter registros próprios de contratos e pagamentos.

Contratos, comprovantes e registros escritos são provas essenciais em disputas, portanto, organização documental e cláusulas que protejam o influenciador podem reduzir riscos financeiros e reputacionais.

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