Casal de influenciadores descobre rombo de R$ 500 mil em acordo com agência Hello Group, isolamento, atrasos recorrentes e como evitar fraudes em parcerias

Do isolamento imposto pela agência ao cruzamento de comprovantes que revelou o rombo de R$ 500 mil, entenda como o casal reuniu provas, acionou o Ministério Público e quais cuidados tomar

Em busca de profissionalização do perfil, o casal de influenciadores que administra o 2depais afirma ter descoberto um rombo de R$ 500 mil após comparar comprovantes de pagamentos enviados por marcas com os repasses que a agência dizia não ter recebido.

A dupla relata que o contrato dava à agência controle total sobre negociações e repasses, enquanto eles eram orientados a evitar qualquer contato externo, o que acabou dificultando a checagem das finanças.

Toda a dinâmica, os comprovantes reunidos e a ação levada ao Ministério Público foram relatados em entrevista, conforme informação divulgada pelo g1

Como o suposto desvio veio à tona

Segundo o relato, no começo a parceria com a Hello Group funcionou, e as campanhas começaram a chegar. O contrato previa que 70% do valor fosse para os influenciadores e 30% ficasse com a agência, e a dupla aceitou a exclusividade para que o parceiro cuidasse de contratos, emissão de notas fiscais e repasses.

Com o tempo, os atrasos nos repasses se tornaram frequentes, acompanhados de explicações prontas, e a agência teria recomendado que eles não falassem com marcas, colegas ou outras agências, sempre justificando como um cuidado com a imagem. Os influenciadores relatam que, em várias ocasiões, a resposta era: ‘nunca conte qual é o seu trabalho, quanto você está ganhando, nunca fale com as pessoas, porque isso vai te derrubar’.

Sem acesso a contratos completos e sem prestação de contas, o casal começou a criar sua própria planilha de campanhas, prazos e valores, e então decidiu contatar marcas diretamente. Foi assim que descobriram que pagamentos haviam sido efetuados às empresas, e que a agência, na verdade, havia recebido os valores que dizia não ter recebido.

Repercussão judicial e bloqueio negado

Com os comprovantes reunidos, a defesa do casal apresentou o caso ao Ministério Público, apontando a possibilidade de apropriação indébita majorada. Os influenciadores pediram o bloqueio de bens da agência e a prestação de contas.

Em decisão mencionada pelo g1, o juiz Caio Hunnicutt Fleury Moraes entendeu que não havia provas suficientes para autorizar o depósito judicial e o bloqueio de valores da empresa. No entanto, determinou que uma patrocinadora, com contrato de R$ 42 mil com a agência, pague diretamente a parte dos influenciadores, como forma de garantir repasse imediato.

Impactos financeiros e pessoais

Além do impacto financeiro direto, o casal afirma que teve de emitir notas fiscais sem receber o dinheiro correspondente, o que gerou débitos tributários e o parcelamento de mais de R$ 40 mil. Eles também relatam desgaste emocional, e Robert citou problemas de saúde associados ao estresse.

Emocionalmente, a sensação de traição foi forte. Como disse um dos influenciadores, ‘quando alguém se coloca como amigo, como protetor, você não quer acreditar’. A dupla também relatou que, após a divulgação do caso, outros criadores entraram em contato relatando situações parecidas, o que indica, segundo eles, que não se trata de um episódio isolado.

Cuidados contratuais, prevenção e recomendações

Especialistas consultados e citados na reportagem destacam a importância de cláusulas contratuais claras sobre transparência financeira. A advogada Mayra Mega Itaborahy, especializada em direito digital, recomenda limitar o poder da agência, exigir autorização prévia e escrita para qualquer acordo, e ter acesso a todos os contratos firmados em nome do influenciador.

Itaborahy lembra ainda que a agência, mesmo negociando sozinha, deve fornecer contratos, comprovantes de pagamento e prestações de contas sempre que solicitado. O atraso no repasse caracteriza inadimplência, que pode implicar juros e multa, e, em casos mais graves, pode configurar crime de apropriação indébita, previsto no artigo 168 do Código Penal.

Modelos considerados mais seguros incluem repasses diretos ao influenciador, uso de contas de garantia ou mecanismos que separam os pagamentos da agência, além da exigência de relatórios periódicos, prazos e multas contratuais. A recomendação prática é manter registros detalhados de contratos, notas fiscais e comprovantes, pois ‘contratos, comprovantes e registros escritos são provas essenciais em disputas’, conforme a especialista.

O caso do 2depais serve de alerta para criadores e marcas, lembrando que exclusividade excessiva, falta de relatórios e resistência em fornecer documentos são sinais de alerta que precisam ser confrontados antes de delegar totalmente a gestão financeira a terceiros.

Por fim, o casal afirmou que busca não apenas a reparação financeira, mas também levar informação a outros criadores para que possam evitar situações semelhantes, porque, como disseram, ‘é um assunto de que ninguém fala, é importante levar informação às pessoas para que mais ninguém caia em uma situação como essa’, conforme relato publicado pelo g1.