quinta-feira, junho 4, 2026

Casal de influenciadores revela rombo de R$ 500 mil em acordo com agência de influenciadores, isolamento, falta de prestações de contas e medidas tomadas

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Relato detalha como o controle exclusivo da agência, atrasos recorrentes e orientação para evitar contato com marcas levaram à descoberta de um prejuízo, e quais foram os desdobramentos

Dois criadores passaram meses sem receber valores de campanhas, enquanto a agência afirmava que pagamentos estavam pendentes, até que o casal cruzou comprovantes e percebeu o problema.

Sem acesso a contratos e sem prestação de contas, os influenciadores dizem ter sido mantidos em isolamento, o que impediu a checagem das transações e agravou prejuízos financeiros e emocionais.

Toda a sequência de fatos foi relatada ao g1, conforme informação divulgada pelo g1

Como funcionava a relação contratual e o isolamento

Segundo o relato dos criadores do perfil 2depais, a parceria com a agência começou em 2021, com a promessa de profissionalizar o trabalho do casal.

O contrato, de acordo com o casal, dava à agência exclusividade para fechar campanhas, assinar contratos, emitir notas fiscais, receber pagamentos e repassar aos influenciadores, com a divisão de 70% para os criadores e 30% para a agência.

Os influenciadores relatam que foram orientados a não falar com marcas, nem comparar valores com colegas, nem manter nenhum contato que não passasse pelo conhecimento da agência, apresentado sempre como um cuidado com a imagem.

“Era sempre assim: ‘nunca conte qual é o seu trabalho, quanto você está ganhando, nunca fale com as pessoas, porque isso vai te derrubar’”, disse o casal em entrevista, e ainda ouviam frases como ‘Deixa que eu tomo conta de tudo, eu resolvo tudo’, segundo relato de Robert.

Descoberta do rombo e impactos financeiros e pessoais

Ao montar uma planilha própria para acompanhar campanhas e valores, o casal identificou divergências entre os pagamentos que as marcas confirmavam e o que a agência afirmava não ter recebido.

Os comprovantes enviados pelas marcas mostravam que campanhas tinham sido pagas meses antes, enquanto a agência alegava atrasos, e os influenciadores concluíram que havia um problema grave, afirmando que o rombo ultrapassa os R$ 500 mil.

Sem receber os repasses, Gustavo e Robert precisaram emitir notas fiscais sem ter o dinheiro correspondente, o que resultou em dívidas com impostos e no parcelamento de mais de R$ 40 mil.

No plano pessoal, Robert relatou desenvolvimento de uma doença autoimune ligada ao estresse, além de sentimentos de insegurança e desconfiança, que, segundo o casal, foram agravados pela situação.

Ação judicial, decisões e documentos reunidos

Com a documentação reunida, os influenciadores procuraram um advogado e levaram o caso ao Ministério Público, apontando a possibilidade de apropriação indébita majorada, quando alguém recebe dinheiro em nome de outra pessoa e não o repassa.

Os pedidos incluíam bloqueio de bens da agência e prestação de contas. Em decisão citada pelo g1, o juiz Caio Hunnicutt Fleury Moraes considerou que não havia provas suficientes para autorizar depósito judicial e bloqueio de valores da empresa, mas determinou que uma patrocinadora com contrato de R$ 42 mil pague a parte dos influenciadores diretamente a eles.

O g1 procurou os responsáveis pela agência para comentar as acusações, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.

Cuidados contratuais e prevenção, segundo especialista

A advogada Mayra Mega Itaborahy, especialista em direito digital ouvida pelo g1, ressalta a importância de cláusulas claras de transparência financeira para reduzir riscos e evitar retenções indevidas de valores.

Itaborahy listou pontos essenciais que devem constar em contratos entre criadores e agências, incluindo: limitar o poder da agência, exigir autorização prévia e por escrito do influenciador para qualquer acordo, e garantir que o criador tenha acesso a todos os contratos feitos em seu nome, com valores, prazos e obrigações, segundo informações do g1.

A especialista destaca que, mesmo quando a agência negocia sozinha, ela deve apresentar, sempre que solicitado, os contratos com empresas, comprovantes de pagamento e prestações de contas detalhadas, pois a ausência desses documentos aumenta o risco para o influenciador.

Entre práticas mais seguras citadas estão repasses diretos ao influenciador, pagamentos separados ou uso de contas de garantia, além da exigência de prazos, forma de pagamento, multas e cláusulas de rescisão claras.

Itaborahy alerta que exclusividade excessiva, falta de relatórios e resistência em fornecer documentos são sinais de alerta, e que atrasos no repasse caracterizam inadimplência, podendo gerar juros, multa e, em casos graves, configurar crime, conforme o que foi apresentado ao g1.

O caso dos 2depais virou tema nas redes sociais, e o casal afirma que outros influenciadores os procuraram relatando problemas semelhantes com a mesma agência, o que, segundo eles, sugere que não se trata de um episódio isolado.

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