Caso Banco Master: quem são os alvos da PF, veja por que Daniel Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, Nelson Tanure e João Mansur foram investigados

Operação Compliance Zero mira suposta venda de carteiras falsas, apreensões e bloqueios de patrimônio, com impacto estimado em cerca de R$ 47 bilhões no mercado financeiro

O cerco da Polícia Federal ao entorno do Banco Master se ampliou nas últimas semanas, atingindo banqueiro, empresários e um pastor ligado ao grupo, em diligências que apontam para uma teia de negócios complexa.

Investigações apuram se houve articulação para a venda de carteiras de crédito que teriam provocado prejuízo bilionário ao Banco de Brasília, e se estruturas societárias foram usadas para ocultar responsabilidades.

O caso segue em desdobramento, com buscas, prisões pontuais e bloqueios de bens, conforme informação divulgada pelo g1

Daniel Bueno Vorcaro, o epicentro das apurações

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, é apontado pela Polícia Federal como o suposto líder de uma organização criminosa que teria atuado contra o Sistema Financeiro Nacional.

Em novembro, ele foi preso na primeira fase da Operação Compliance Zero, em um dia em que tentava embarcar para Dubai, e depois foi solto por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mantendo tornozeleira eletrônica.

Segundo as investigações, o grupo liderado por Vorcaro teria articulado em 2025 a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília, em uma operação que, segundo a PF, causou prejuízo de R$ 12,2 bilhões ao BRB.

Ao explicar sua estratégia, Vorcaro afirmou que “o plano de negócio do Banco Master era 100% baseado no FGC e não havia nada de errado nisso, essa era a regra do jogo, e após a gente começar a crescer, muda-se a regra do jogo”, conforme depoimento citado pela investigação.

A defesa de Vorcaro nega irregularidades e afirma que ele é inocente, com nota dizendo que “Daniel Vorcaro reafirma sua inocência, segue colaborando integralmente com as autoridades e acredita que a análise completa dos fatos afastará interpretações que não refletem a realidade”.

O banqueiro construiu uma estratégia agressiva de captação por CDBs, pagando, em média, entre 130% e 140% do CDI, frente a praticados no mercado próximos de 110%, e manteve aquisições de empresas em dificuldades como parte do plano de crescimento.

Na primeira fase da investigação a Polícia Federal apreendeu itens e valores estimados em R$ 230 milhões, incluindo obras de arte, joias e dinheiro em espécie.

Fabiano Campos Zettel, pastor e empresário preso em diligência

Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, foi detido em 14 de janeiro no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava embarcar para os Emirados Árabes, e liberado no mesmo dia.

Zettel, fundador da Moriah Asset e pastor evangélico, teve mandado de busca expedido pelo Supremo Tribunal Federal, e a decisão que motivou a prisão apontou que “a prática criminosa do investigado envolve diversos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional”, conforme documentos da operação.

Empresário ligado ao setor de saúde e bem-estar, Zettel já atuou como diretor de empresa do grupo do cunhado e foi responsável pela aquisição da mansão usada por Vorcaro em Brasília, avaliada em R$ 36 milhões.

Em nota, a assessoria de Zettel afirmou que ele está “à inteira disposição das autoridades responsáveis” e que tem “atividades empresariais conhecidas e lícitas, sem relação alguma com a gestão do Banco Master”.

João Carlos Mansur, gestor com fundos sob suspeita

João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, foi alvo de mandados de busca e apreensão na segunda fase da Compliance Zero, em 14 de janeiro, mas não foi preso.

A gestora, que mudou nome para CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, foi liquidada pelo Banco Central enquanto a Polícia Federal apurava indícios de que fundos teriam sido usados para praticar fraudes financeiras em benefício do grupo Master, com movimentações atípicas, inflação de resultados e indícios de lavagem de dinheiro.

Segundo informações divulgadas, a Reag tinha cerca de R$ 299 bilhões em ativos administrados, o que a colocava entre as maiores gestoras do País, e enfrentou outras investigações, incluindo a operação Quasar em 2025, que apontou uso de fundos para lavar recursos de atividades criminosas.

A empresa emitiu nota repudiando as alegações, afirmando que as matérias buscam indevidamente associar a companhia a práticas irregulares sem provas.

Nelson Tanure, o empresário apontado como “sócio-oculto”

O investidor Nelson Tanure, com longa carreira comprando empresas em dificuldades, também foi alvo de mandados de busca e apreensão e de medidas cautelares durante a segunda fase da operação.

Relatórios citados pela investigação apontaram Tanure como possível “sócio-oculto” das operações de Vorcaro, atuando por meio de fundos e estruturas societárias complexas para exercer influência sobre negócios relacionados ao Master.

Em resposta pública, Tanure negou ser controlador ou sócio do Banco Master, afirmando que “não fui nem sou controlador do extinto Banco Master, tampouco seu sócio, ainda que minoritário, direta ou indiretamente, inclusive por meio de opções, instrumentos financeiros, debêntures conversíveis em ações ou quaisquer mecanismos equivalentes”.

Impacto, cenário e próximos passos das investigação

Autoridades avaliam que a quebra do Banco Master e do Will Bank pode provocar reflexos no mercado financeiro, com estimativas preliminares de impacto em torno de R$ 47 bilhões.

A investigação se desdobra em múltiplas frentes, entre busca por provas de gestão fraudulenta, suposta venda de carteiras ao BRB e a análise de estruturas societárias que teriam permitido crescimento acelerado do conglomerado.

Operações como a Compliance Zero incluem medidas como apreensões, prisões temporárias, bloqueios de patrimônio e pedidos ao STF, enquanto defesas afirmam ausência de prova definitiva de transferência de carteiras e alegam que negociações estavam em estágio preliminar, sem cessão definitiva.

O caso segue em desenvolvimento, com possibilidade de novas fases e de envolvimento de outros agentes econômicos e políticos, e permanece sob apuração das autoridades competentes, conforme informação divulgada pelo g1